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Saúde Mental

Crise de ansiedade: sintomas, causas, o que fazer e como tratar

Foto de Wenner Daniele, psicóloga clínica CRP 24/01431Por Wenner Daniele · CRP 24/01431
Atualizado em 13 de setembro de 2026 17 min de leitura
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Poucas experiências são tão assustadoras quanto uma crise de ansiedade. Durante alguns minutos, o coração pode acelerar, a respiração mudar, o peito apertar, o corpo tremer e surgir uma sensação intensa de que alguma coisa grave está acontecendo. Para algumas pessoas, o episódio é tão convincente que a primeira reação é procurar um pronto-socorro com medo de estar tendo um infarto, um problema respiratório ou outra emergência médica.

Na prática clínica, uma das perguntas que mais aparece depois desse primeiro episódio é: “O que aconteceu comigo e como faço para isso não acontecer novamente?”

Entender o mecanismo da crise é uma parte importante do tratamento. Os sintomas físicos são reais e podem ser extremamente intensos, mas a interpretação que fazemos dessas sensações também pode influenciar a intensidade e a manutenção do episódio. Por isso, este artigo explica, de forma aprofundada, o que acontece durante uma crise de ansiedade, quais sintomas podem aparecer, quais fatores podem contribuir para seu surgimento, como diferenciá-la de um ataque de pânico, o que fazer durante o episódio e quais tratamentos têm evidências científicas.

Fonte: OMS — Transtornos de ansiedade (fact sheet).

Sobre a autora

Wenner Daniele é psicóloga clínica, CRP 24/01431, com 13 anos de experiência em psicologia clínica. Atua com psicoterapia online e utiliza a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) como principal abordagem.

Este artigo foi elaborado com base em literatura científica e diretrizes clínicas sobre ansiedade, transtorno de pânico e Terapia Cognitivo-Comportamental, complementadas pela experiência clínica da autora.

As referências científicas utilizadas estão apresentadas ao final do artigo para permitir a consulta às fontes originais.

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Resumo rápido

Uma crise de ansiedade envolve uma ativação intensa do sistema de resposta a ameaças do organismo. Essa ativação pode produzir sintomas físicos, cognitivos e emocionais muito intensos.

Os sintomas podem incluir palpitações, falta de ar, tremores, tontura, sudorese, desconforto no peito, náusea, formigamento e medo intenso.

A intensidade dos sintomas não significa necessariamente que exista uma emergência médica, mas sintomas novos, intensos ou diferentes do padrão habitual precisam ser avaliados adequadamente para descartar outras causas.

Crise de ansiedade e ataque de pânico não são necessariamente sinônimos. O ataque de pânico tem critérios clínicos específicos e pode ocorrer dentro de diferentes transtornos ou mesmo de forma isolada.

A Terapia Cognitivo-Comportamental possui evidências para o tratamento de transtornos de ansiedade e pânico, e medicamentos podem ser indicados em determinadas situações por profissionais habilitados para prescrevê-los.

Quando as crises se repetem, geram medo constante de uma nova crise ou fazem a pessoa evitar lugares e atividades, é importante buscar avaliação profissional.

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O que é uma crise de ansiedade?

Uma crise de ansiedade pode ser entendida como um período de aumento acentuado da ativação emocional e fisiológica, associado à percepção de ameaça. O organismo possui sistemas automáticos destinados a detectar perigo e preparar o corpo para responder a ele. Quando esses sistemas são ativados, alterações na frequência cardíaca, respiração, tensão muscular, atenção e outras funções corporais podem ocorrer rapidamente.

Em situações de perigo real, essas respostas têm uma função adaptativa: preparar o organismo para lutar, fugir ou lidar com a ameaça. Em uma crise de ansiedade, entretanto, essa resposta pode ocorrer diante de uma ameaça percebida, de uma preocupação intensa ou de determinadas sensações corporais, mesmo quando não existe um perigo físico imediato.

A crise pode começar depois de um gatilho identificável — como uma situação de estresse, conflito, preocupação, ambiente específico ou sensação corporal — mas também pode parecer surgir sem motivo aparente. Quando a pessoa não consegue identificar uma causa, a experiência pode ser ainda mais assustadora.

Um ponto importante é que “crise de ansiedade” não é, por si só, um diagnóstico específico. A expressão é usada no cotidiano para descrever episódios de ansiedade intensa. Clinicamente, é necessário avaliar o conjunto dos sintomas, sua duração, frequência, contexto, prejuízo funcional e histórico da pessoa para determinar se existe um transtorno de ansiedade, transtorno de pânico ou outra condição.

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Sintomas durante a crise

Durante uma crise de ansiedade, é comum que vários sintomas apareçam ao mesmo tempo, com intensidade que costuma crescer rapidamente:

  • Coração acelerado, palpitações
  • Falta de ar ou sensação de sufocamento
  • Aperto ou dor no peito
  • Tontura ou sensação de desmaio iminente
  • Tremores e sudorese
  • Formigamento em mãos, pés ou rosto
  • Náusea ou desconforto abdominal
  • Sensação de irrealidade ou de estar fora do próprio corpo
  • Medo intenso de morrer, de perder o controle, ou de estar "enlouquecendo"
  • Calafrios ou ondas de calor

Kyriakoulis e Kyrios, autores de uma revisão publicada na Frontiers in Psychiatry em 2023 sobre as teorias biológicas e cognitivas do transtorno de pânico, descrevem esse conjunto de sintomas como resultado direto da ativação da amígdala e do sistema nervoso simpático diante de uma ameaça percebida, o que explica por que os sintomas afetam o corpo inteiro e não uma única região.

Uma coisa que sempre digo aos meus pacientes: nenhum desses sintomas, isoladamente, é perigoso. O coração acelerado durante uma crise não vai causar um infarto em um coração saudável, a falta de ar não vai fazer a pessoa parar de respirar de verdade, e a sensação de desmaio raramente termina em desmaio real, já que o próprio aumento da pressão arterial durante a ativação torna o desmaio menos provável, não mais. O problema não é o risco físico real, é o quanto essas sensações, por serem tão intensas, convencem a mente de que existe um risco.

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Por que o corpo reage assim: as causas

Existem hoje algumas explicações científicas bem estabelecidas sobre o que acontece no corpo e na mente durante uma crise, e considero importante que meus pacientes conheçam pelo menos duas delas, porque isso muda a forma como se relacionam com os próprios sintomas.

A primeira é biológica. Segundo Kyriakoulis e Kyrios, quando a amígdala interpreta algo como ameaça, ela aciona o sistema nervoso simpático, disparando a clássica resposta de luta ou fuga: o coração acelera, a respiração muda, os músculos tensionam.

Os autores também descrevem a chamada teoria da hiperventilação, que inclui a hipótese do "alarme falso de sufocamento" proposta pelo pesquisador Donald Klein: em algumas pessoas, o limiar que o cérebro usa para detectar falta de oxigênio estaria mais sensível do que deveria, fazendo com que pequenas quedas no nível de gás carbônico do sangue sejam interpretadas, erroneamente, como sufocamento iminente, disparando a crise.

A segunda explicação é cognitiva, e é a que mais uso no trabalho clínico. O modelo proposto pelo pesquisador David Clark, também descrito na revisão de Kyriakoulis e Kyrios, mostra como sensações corporais benignas, como uma palpitação ou uma tontura leve, podem ser interpretadas de forma catastrófica ("estou tendo um infarto", "vou desmaiar", "vou morrer"), e essa interpretação catastrófica gera mais sintomas físicos, que por sua vez reforçam a interpretação catastrófica, criando um ciclo que se autoalimenta. Comportamentos de segurança, como sair correndo da situação ou verificar o pulso repetidamente, costumam manter esse ciclo ativo em vez de resolvê-lo.

Entender essas duas explicações, juntas, ajuda a responder a uma pergunta que praticamente todo paciente me faz: "por que isso está acontecendo comigo?". A resposta não é "você é fraco" nem "está tudo na sua cabeça", é que existe um mecanismo biológico real, somado a um padrão de interpretação que pode ser identificado e trabalhado.

O ciclo que pode manter uma crise de ansiedade

Uma das contribuições da Terapia Cognitivo-Comportamental para compreender as crises de ansiedade é observar a relação entre sensações corporais, pensamentos, emoções e comportamentos.

Uma sensação física pode ser percebida primeiro. A pessoa sente o coração acelerar, por exemplo. Em seguida, interpreta essa sensação: “alguma coisa está errada comigo”. Essa interpretação aumenta o medo, que por sua vez aumenta a ativação física. O corpo produz novas sensações, que podem ser interpretadas novamente como sinais de perigo.

Sensação corporal → interpretação de ameaça → medo → aumento da ativação física → novas sensações → interpretação de ameaça.

Esse ciclo pode acontecer muito rapidamente, fazendo parecer que a crise “surgiu do nada”. Na realidade, alguns dos processos envolvidos podem ocorrer em uma sequência tão rápida que a pessoa percebe principalmente o resultado final: uma onda intensa de sintomas físicos e medo.

Depois de uma primeira crise, outro processo pode aparecer: o medo de ter uma nova crise. A pessoa começa a prestar mais atenção ao próprio corpo, procurar sinais de perigo e evitar situações nas quais acredita que uma nova crise poderia acontecer. Assim, o problema deixa de ser apenas o episódio inicial e passa a envolver também a forma como a pessoa passou a se relacionar com as próprias sensações.

Já expliquei com mais detalhe o que acontece no cérebro durante uma crise →O que acontece no seu cérebro durante a crise

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Crise de ansiedade x ataque de pânico

Os termos “crise de ansiedade” e “ataque de pânico” são frequentemente utilizados como sinônimos na linguagem cotidiana, mas não representam necessariamente a mesma coisa do ponto de vista clínico.

Crise de ansiedade é uma expressão ampla, utilizada para descrever um período de ansiedade intensa. Ela pode estar relacionada a uma preocupação específica, a uma situação de estresse ou a diferentes circunstâncias da vida.

Ataque de pânico é um episódio abrupto de medo ou desconforto intenso acompanhado por sintomas físicos e cognitivos. O episódio costuma atingir rapidamente uma intensidade elevada e pode ocorrer tanto diante de uma situação específica quanto aparentemente sem um gatilho externo.

Ter um ataque de pânico não significa automaticamente ter transtorno de pânico. O diagnóstico depende da avaliação de outros elementos, incluindo a recorrência dos episódios, a preocupação persistente com novas crises e alterações de comportamento relacionadas a elas.

Em ambos os casos, os sintomas podem ser muito intensos. Quando uma pessoa sente palpitações, falta de ar, dor ou pressão no peito, tontura ou sensação de desmaio, não é seguro concluir automaticamente que se trata de ansiedade. Especialmente em um primeiro episódio ou diante de sintomas diferentes do habitual, é importante considerar também causas médicas. Ataque de Pânico

O medo de ter uma nova crise

Um dos aspectos mais importantes do transtorno de pânico, e que costuma passar despercebido, é o chamado medo antecipatório: depois de uma ou duas crises, a pessoa passa a temer o próprio medo, monitorando constantemente o corpo em busca de sinais de uma nova crise, e evitando cada vez mais lugares e situações associadas aos episódios anteriores (dirigir, andar de avião, ficar em ambientes fechados ou longe de casa). Esse padrão, por si só, já é reconhecido como um fator de manutenção do quadro, e é justamente um dos pontos que a psicoterapia trabalha com mais cuidado.

Na prática, esse medo pode fazer a pessoa desenvolver comportamentos de segurança. Ela pode sentar sempre perto de uma saída, carregar medicamentos “para garantir”, verificar repetidamente os batimentos cardíacos, pesquisar sintomas na internet, evitar ficar sozinha ou procurar lugares onde acredita que poderá receber ajuda rapidamente.

Esses comportamentos podem produzir alívio imediato. O problema é que o alívio pode reforçar a ideia de que a situação era perigosa e que a pessoa só conseguiu ficar segura porque realizou aquele comportamento.

Na Terapia Cognitivo-Comportamental, esse ciclo é investigado cuidadosamente. O objetivo não é simplesmente mandar a pessoa “enfrentar o medo”, mas compreender quais pensamentos, comportamentos e estratégias de segurança estão mantendo o problema e trabalhar essas respostas de maneira gradual e individualizada.

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O que fazer durante uma crise

O objetivo não é lutar contra todas as sensações

Durante uma crise, é natural tentar fazer os sintomas desaparecerem imediatamente. A pessoa pode tentar controlar a respiração, verificar o coração, procurar um lugar seguro ou fugir da situação. Algumas dessas respostas podem trazer alívio momentâneo, mas a tentativa constante de controlar cada sensação corporal também pode aumentar a atenção sobre o corpo.

Por isso, quando já existe segurança médica para interpretar aqueles sintomas como parte de um quadro de ansiedade, uma estratégia mais útil pode ser atravessar a onda de ansiedade sem interpretar cada sensação como uma emergência.

Isso não significa simplesmente “ignorar os sintomas”. Significa reconhecer o que está acontecendo, reduzir a escalada do medo e permitir que a ativação do organismo diminua progressivamente.

Não existe uma técnica mágica que interrompa uma crise instantaneamente, mas algumas estratégias, baseadas nos mesmos princípios da Terapia Cognitivo-Comportamental, ajudam a atravessar o episódio com menos sofrimento:

  • Nomear o que está acontecendo ("isto é uma crise de ansiedade, não um problema cardíaco") ajuda a reduzir a interpretação catastrófica que alimenta o ciclo
  • Diminuir o ritmo da respiração, sem forçar respirações muito profundas, que podem intensificar a hiperventilação
  • Manter contato com o ambiente ao redor, através dos sentidos (o que você vê, ouve, sente ao toque), em vez de focar exclusivamente nas sensações internas
  • Evitar sair correndo da situação sempre que possível, já que a fuga tende a reforçar, no cérebro, a ideia de que aquela situação era de fato perigosa
  • Lembrar que uma crise, por mais intensa que seja, tem um pico e tende a diminuir de intensidade ao longo de alguns minutos
as crises variam de pessoa para pessoa

Tenho um artigo com estratégias práticas mais detalhadas para o momento da crise →O que fazer durante uma crise de pânico

Quando procurar atendimento

Alguns sinais merecem avaliação médica imediata, antes de qualquer outra consideração:

Dor no peito, especialmente se for a primeira vez ou vier acompanhada de outros sinais de alarme

Falta de ar súbita e intensa que não melhora

Desmaio real, e não apenas a sensação de que vai desmaiar

Alterações neurológicas, como fraqueza de um lado do corpo ou alteração da fala

Qualquer sintoma que pareça diferente do seu padrão habitual de ansiedade

Fora do contexto de emergência, vale procurar acompanhamento psicológico quando as crises se tornam recorrentes, quando surge o medo constante de ter uma nova crise, ou quando você percebe que está evitando cada vez mais situações por causa disso. Nenhum desses sinais, isoladamente, precisa esperar para ser levado a sério, e quanto antes o quadro é trabalhado, menor tende a ser o espaço que a evitação toma na vida da pessoa. Se você estiver em risco imediato, procure um serviço de emergência.

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Uma crise isolada não significa necessariamente que uma pessoa desenvolverá transtorno de pânico. O problema pode se tornar maior quando o medo de uma nova crise começa a determinar escolhas e limitar a rotina.

Algumas pessoas deixam de dirigir, viajar de avião, usar transporte público, frequentar shopping centers, fazer exercícios, ficar sozinhas ou permanecer longe de hospitais. Outras começam a organizar toda a rotina em torno da possibilidade de precisar escapar rapidamente de uma situação.

A evitação costuma produzir uma sensação importante de alívio no curto prazo. Entretanto, quando ela se torna a principal maneira de lidar com a ansiedade, pode impedir que a pessoa tenha novas experiências de segurança e confiança.

É nesse momento que a crise deixa de ser apenas um episódio e passa a ocupar espaço na vida da pessoa. A avaliação psicológica ajuda a identificar esse ciclo e a compreender quais comportamentos estão mantendo o medo.

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Tratamento: psicoterapia e medicação

A boa notícia é que crises de ansiedade e transtorno de pânico estão entre os quadros com melhor resposta a tratamento dentro da saúde mental.

O guia clínico do NICE (National Institute for Health and Care Excellence, do Reino Unido), uma das referências mais respeitadas em diretrizes de tratamento, recomenda a Terapia Cognitivo-Comportamental como uma das principais abordagens para transtorno de pânico, geralmente estruturada em algumas semanas de sessões, podendo ser combinada com medicação antidepressiva quando o quadro é mais duradouro ou quando a pessoa não respondeu bem só à psicoterapia. O mesmo guia é claro ao desaconselhar o uso de benzodiazepínicos como tratamento de longo prazo para esse quadro, reservando-os para situações pontuais e por curto período.

Isso é consistente com o que Stewart e Chambless encontraram em uma meta-análise sobre a efetividade da TCC na prática clínica real, fora de ambientes de pesquisa: resultados favoráveis para diferentes transtornos de ansiedade, incluindo abordagens de exposição, que são particularmente úteis para quem vem evitando cada vez mais situações por medo de ter uma nova crise.

Na prática, a psicoterapia para crise de ansiedade e transtorno de pânico trabalha justamente os dois mecanismos que descrevi na seção sobre causas: ajuda a pessoa a reinterpretar as sensações corporais de forma menos catastrófica, e reduz, aos poucos, os comportamentos de evitação e de segurança que mantêm o ciclo ativo.

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Como a TCC trabalha esse ciclo?

O tratamento não consiste simplesmente em ensinar a pessoa a “se acalmar”. A Terapia Cognitivo-Comportamental procura compreender como a ansiedade está sendo mantida naquele indivíduo.

Dependendo da avaliação clínica, o tratamento pode envolver:

Identificação de pensamentos automáticos: compreender interpretações como “vou morrer”, “vou desmaiar” ou “não vou conseguir sair daqui”.

Reavaliação das interpretações catastróficas: aprender a analisar as sensações corporais de maneira mais realista, sem ignorar sinais que realmente precisam de avaliação médica.

Redução de comportamentos de segurança: identificar estratégias que proporcionam alívio imediato, mas podem manter o medo.

Exposição gradual: quando indicada, trabalhar de forma planejada a aproximação de situações ou sensações que passaram a ser evitadas.

Prevenção de recaídas: desenvolver recursos para reconhecer sinais de aumento da ansiedade e responder de maneira diferente antes que o ciclo se amplifique.

O tratamento é individualizado. Nem toda pessoa precisa das mesmas técnicas, e a escolha das estratégias depende da história clínica, dos sintomas, das situações evitadas e da avaliação profissional.

Veja como a TCC pode desarmar a síndrome do pânico, com um exemplo real de acompanhamento →Síndrome do Pânico

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Como esse ciclo pode aparecer na vida real

Exemplo 1 — A palpitação

Uma pessoa está em um supermercado quando percebe o coração acelerar. Pensa imediatamente: “Estou tendo um problema cardíaco”. O medo aumenta, a ativação do organismo cresce e novas sensações aparecem. Ela sai correndo do supermercado e sente alívio.

O alívio é compreensível, mas pode reforçar a associação entre aquele ambiente e perigo. Na próxima ida ao supermercado, a pessoa pode ficar ainda mais atenta ao coração e sair antes mesmo de sentir sintomas intensos.

Exemplo 2 — O medo de uma nova crise

Depois de uma crise durante um voo, uma pessoa começa a monitorar constantemente a própria respiração antes das viagens. Pesquisa sintomas, escolhe assentos próximos à saída e considera deixar de visitar a família no Brasil.

Nesse caso, o problema já não envolve apenas a crise original. O medo de repetir a experiência começa a modificar comportamentos, restringir escolhas e manter a ansiedade.

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Como ajudar alguém em crise

Se você está com alguém durante uma crise de ansiedade, algumas atitudes simples ajudam mais do que parece: manter a calma e falar em um tom de voz tranquilo, evitar frases como "é só ansiedade" ou "se acalma", que costumam soar invalidantes, ajudar a pessoa a diminuir o ritmo da respiração junto com você, e lembrá-la, com paciência, de que a crise vai passar. Buscar ajuda médica é sempre a prioridade se houver qualquer dúvida sobre a origem dos sintomas.

Evite também minimizar o que a pessoa está sentindo depois que a crise passa, com frases como "não foi nada" ou "você está bem agora". Para quem acabou de viver uma ativação daquela intensidade, o corpo ainda está processando o que aconteceu, e validar a experiência (sem alimentar o medo de uma próxima crise) costuma ajudar mais do que apressar a pessoa a seguir em frente.

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Perguntas frequentes

O que é uma crise de ansiedade?

É uma ativação intensa do sistema de resposta a ameaças do corpo, com sintomas físicos e emocionais fortes, mesmo sem um perigo real e imediato.

Quais são os sintomas de uma crise de ansiedade?

Coração acelerado, falta de ar, aperto no peito, tontura, tremores, formigamento, náusea e medo intenso estão entre os mais comuns.

Crise de ansiedade e ataque de pânico são a mesma coisa?

São parecidos, mas não idênticos. Uma crise de ansiedade costuma ter um gatilho identificável e crescer de forma gradual, enquanto um ataque de pânico pode surgir de forma abrupta, sem aviso.

Uma crise de ansiedade pode parecer um infarto?

Sim, os sintomas físicos podem ser intensos o suficiente para parecer um problema cardíaco, mas dor no peito sempre deve ser avaliada por um médico primeiro.

Quanto tempo dura uma crise de ansiedade?

Costuma atingir o pico de intensidade em poucos minutos e diminuir gradualmente depois, embora a sensação de esgotamento possa durar mais tempo.

O que fazer durante uma crise de ansiedade?

Nomear o que está acontecendo, diminuir o ritmo da respiração, manter contato com o ambiente ao redor e evitar fugir da situação sempre que possível.

Quando devo procurar um médico durante uma crise?

Sempre que houver dor no peito, falta de ar súbita, desmaio real ou qualquer sintoma diferente do seu padrão habitual.

Crise de ansiedade tem tratamento?

Sim. A Terapia Cognitivo-Comportamental é a abordagem com melhor evidência científica, podendo ser combinada com medicação quando indicado por um médico.

Como ajudar alguém que está tendo uma crise de ansiedade?

Mantenha a calma, evite invalidar o que a pessoa sente, ajude a regular a respiração e lembre-a de que a crise vai passar.

Cada leitura é um convite ao cuidado com a própria mente — o primeiro passo pode ser conversar.

Foto de Wenner Daniele, psicóloga clínica CRP 24/01431

Wenner Daniele

Psicóloga Clínica · CRP 24/01431

Falar com a psicóloga
  1. Kyriakoulis P, Kyrios M. Biological and cognitive theories explaining panic disorder: A narrative review. Frontiers in Psychiatry. 2023.
  2. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Generalised anxiety disorder and panic disorder in adults: management. NICE Guideline, 2019.
  3. Stewart RE, Chambless DL. Cognitive-Behavioral Therapy for Adult Anxiety Disorders in Clinical Practice: A Meta-Analysis of Effectiveness Studies. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 2009.
  4. Bandelow B, Michaelis S, Wedekind D. Treatment of anxiety disorders. Dialogues in Clinical Neuroscience. 2017.