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Neurociência 12 min de leitura Por Wenner Daniele

Crise de pânico e ansiedade: o que acontece no cérebro durante uma crise?

Por Wenner Daniele — Psicóloga Clínica | CRP 24/03592

Entenda o que acontece no cérebro durante uma crise de ansiedade ou ataque de pânico, por que surgem os sintomas físicos e como a Terapia Cognitivo-Comportamental pode ajudar.

Crise de pânico e ansiedade: o que acontece no cérebro durante uma crise

Imagine a seguinte situação: você está se preparando para um compromisso importante, dirigindo ou simplesmente descansando em casa quando, de repente, seu coração dispara. Suas mãos começam a tremer, sua respiração fica curta e um pensamento avassalador toma conta da sua mente: "Estou tendo um infarto" ou "Vou perder o controle".

Como psicóloga, recebo pessoas no consultório todas as semanas descrevendo exatamente essa experiência como uma das mais assustadoras de suas vidas. Embora essas sensações pareçam indicar um problema físico grave, elas costumam representar a ativação de um sistema biológico criado para proteger você, mas que disparou em um momento inadequado.

Se você sofre com ansiedade intensa ou já passou por uma crise de pânico, compreender o que acontece no cérebro pode ser um dos primeiros passos para recuperar a sensação de controle. Neste artigo, vamos explorar o que ocorre na neurobiologia da ansiedade, entender por que os sintomas físicos parecem tão reais e descobrir como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) pode ajudar a modificar essas respostas.

O circuito do medo: por que a crise acontece?

A neurociência mostra que os transtornos de ansiedade não são sinais de fraqueza emocional. Eles envolvem alterações na comunicação entre áreas do cérebro responsáveis pelas emoções e aquelas responsáveis pelo raciocínio e pela tomada de decisões.

Em condições normais, o córtex pré-frontal, região relacionada ao planejamento, à análise de riscos e ao controle dos impulsos, ajuda a regular as respostas emocionais geradas por estruturas mais primitivas do cérebro.

Durante uma crise de ansiedade ou um ataque de pânico, esse equilíbrio fica comprometido. As áreas emocionais entram em hiperatividade e passam a comandar o comportamento, reduzindo temporariamente a capacidade de avaliar a situação de forma racional.

A amígdala: o alarme de emergência do cérebro

Uma das estruturas mais importantes nesse processo é a amígdala cerebral, localizada profundamente no sistema límbico.

Sua função é identificar possíveis ameaças e iniciar respostas rápidas de sobrevivência. Quando a amígdala interpreta que existe um perigo, real ou imaginado, ela ativa uma série de mecanismos destinados a proteger o organismo.

Em situações de ansiedade intensa, esse sistema pode se tornar excessivamente sensível. Como resultado, o cérebro passa a reagir como se estivesse diante de um risco grave, mesmo quando não existe uma ameaça real.

Outra região envolvida é a substância cinzenta periaquedutal (PAG), localizada no mesencéfalo. Essa estrutura participa das respostas defensivas automáticas, como congelar, fugir ou preparar o corpo para enfrentar um perigo.

A química do pânico: o que muda no cérebro?

Durante uma crise, diversos neurotransmissores e hormônios são liberados rapidamente.

GABA: o freio natural do cérebro

O ácido gama-aminobutírico, conhecido como GABA, é o principal neurotransmissor inibitório do sistema nervoso. Ele funciona como um freio natural, ajudando a desacelerar a atividade cerebral. Em pessoas com transtornos de ansiedade, esse sistema pode estar menos eficiente, favorecendo estados de alerta excessivo.

Glutamato: o acelerador cerebral

O glutamato é o principal neurotransmissor excitatório do cérebro. Quando sua atividade aumenta, ocorre uma intensificação dos sinais relacionados ao medo e à vigilância, contribuindo para a sensação de que algo ruim está prestes a acontecer.

Noradrenalina: preparando o corpo para agir

A noradrenalina aumenta a frequência cardíaca, a pressão arterial e a atenção aos possíveis perigos. Embora esse mecanismo seja essencial para a sobrevivência, sua ativação exagerada pode gerar muitos dos sintomas físicos observados durante uma crise.

Cortisol e o eixo do estresse

Quando o cérebro identifica uma ameaça, ativa o chamado eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA). Esse sistema leva à liberação de cortisol, conhecido popularmente como hormônio do estresse.

Em situações de estresse crônico, a exposição prolongada ao cortisol pode aumentar a sensibilidade do cérebro à ansiedade e dificultar a recuperação emocional.

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A crise tem explicação — e tem caminho.

Compreender o que acontece no seu cérebro é o primeiro passo. No atendimento, construímos juntos um plano para reorganizar o sistema de alarme com base científica.

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Por que os sintomas físicos parecem tão perigosos?

Muitas pessoas procuram atendimento médico durante uma crise acreditando estar sofrendo um problema cardíaco ou neurológico grave. Isso acontece porque os sintomas físicos são reais.

Coração acelerado e aperto no peito

Quando o sistema nervoso simpático é ativado, o coração passa a bombear mais sangue para os músculos. Essa resposta faz parte do mecanismo de luta ou fuga, mas pode ser interpretada como um sinal de infarto.

Falta de ar, tontura e formigamentos

Durante uma crise, é comum ocorrer hiperventilação, ou seja, uma respiração rápida e superficial. Essa alteração modifica os níveis de oxigênio e gás carbônico no sangue, podendo provocar:

  • tontura;
  • sensação de sufocamento;
  • aperto no peito;
  • formigamentos nas mãos e nos lábios;
  • sensação de desmaio iminente.

Medo de morrer ou perder o controle

Quando o cérebro emocional assume o comando, o córtex pré-frontal perde parte de sua capacidade reguladora. Por isso, mesmo sabendo racionalmente que está seguro, a pessoa sente como se estivesse diante de uma catástrofe iminente.

Como a ansiedade afeta a memória e a concentração?

Os efeitos da ansiedade vão além das crises. Quando o cérebro permanece em estado constante de alerta, estruturas importantes para a memória e para a atenção podem ser impactadas.

Uma delas é o hipocampo, região fundamental para a formação de memórias e para a regulação do estresse. Por esse motivo, pessoas com ansiedade frequentemente relatam:

  • dificuldade de concentração;
  • esquecimentos frequentes;
  • sensação de mente sobrecarregada;
  • dificuldade para tomar decisões;
  • fadiga mental.

Como a Terapia Cognitivo-Comportamental ajuda?

Uma das descobertas mais importantes da neurociência é a neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de criar novas conexões e aprender novas formas de responder às situações.

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) utiliza esse princípio para ajudar a modificar padrões de pensamento, emoção e comportamento. Na prática, a TCC trabalha quatro componentes principais:

  • pensamentos;
  • emoções;
  • sensações físicas;
  • comportamentos.

Muitas vezes, uma crise é alimentada por interpretações catastróficas dos sintomas corporais. Por exemplo:

  • Sensação física: coração acelerado.
  • Pensamento automático: "Vou infartar."
  • Emoção: medo intenso.
  • Comportamento: fugir ou procurar ajuda imediatamente.

Ao aprender a identificar e questionar essas interpretações automáticas, o cérebro começa a desenvolver respostas mais equilibradas e adaptativas. Com o tempo, isso reduz a intensidade do medo e a frequência das crises.

Perguntas frequentes sobre ansiedade e cérebro

1. A ansiedade pode afetar a memória?

Sim. Níveis elevados e persistentes de estresse podem prejudicar o funcionamento do hipocampo, afetando a memória e a capacidade de concentração.

2. Qual a diferença entre ansiedade e transtorno do pânico?

A ansiedade costuma estar relacionada a preocupações persistentes e antecipação de problemas futuros. O transtorno do pânico envolve crises súbitas e recorrentes de medo intenso, muitas vezes sem um gatilho claro.

3. Por que a ansiedade causa sintomas físicos?

Porque o cérebro ativa sistemas biológicos de sobrevivência que aumentam a frequência cardíaca, a tensão muscular, a respiração e o estado de alerta.

4. O cérebro pode ficar mais sensível à ansiedade?

Sim. Estresse crônico, eventos traumáticos e padrões persistentes de preocupação podem tornar o sistema de alarme cerebral mais reativo ao longo do tempo.

5. A ansiedade tem tratamento?

Sim. A combinação de psicoterapia baseada em evidências, mudanças de hábitos e, em alguns casos, acompanhamento psiquiátrico, costuma apresentar excelentes resultados.

Dica prática da psicóloga: técnica dos 5 sentidos

Quando perceber os primeiros sinais de ansiedade, experimente direcionar sua atenção para o ambiente ao seu redor. Identifique:

  • 5 coisas que você pode ver;
  • 4 coisas que você pode tocar;
  • 3 coisas que você pode ouvir;
  • 2 coisas que você pode cheirar;
  • 1 coisa que você pode sentir no paladar.

Esse exercício ajuda a interromper o ciclo de pensamentos catastróficos e favorece o retorno da atenção para o momento presente.

Quando procurar ajuda psicológica?

Sentir ansiedade diante de desafios faz parte da experiência humana. No entanto, quando a ansiedade começa a prejudicar o sono, os relacionamentos, o trabalho ou a qualidade de vida, pode ser o momento de buscar ajuda profissional.

Você não precisa esperar chegar ao limite para cuidar da sua saúde emocional. Com o tratamento adequado, é possível compreender melhor seus gatilhos, desenvolver estratégias de enfrentamento e recuperar o equilíbrio emocional.

Conheça mais sobre o atendimento, leia outros artigos do blog ou saiba mais sobre Wenner.

Referências: Martin EI, Ressler KJ, Binder E, Nemeroff CB. "The Neurobiology of Anxiety Disorders: Brain Imaging, Genetics, and Psychoneuroendocrinology" (Psychiatric Clinics of North America, 2009). Lang D, Paleczny S. "Explorando a conexão entre ansiedade e o cérebro" (Creyos Health).

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Sobre a autora

Wenner Daniele

Psicóloga Clínica, mestranda em Neurociências pela UFRGS e fundadora da WYNEED. Atua com psicoterapia online baseada em TCC para ansiedade, pânico, insônia, depressão e exaustão emocional.

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