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Ansiedade 9 min de leitura Por Wenner Daniele

Ataque de Pânico Parecido com Infarto? Veja os Sintomas

O Corpo Grita o que a Mente Omite: Quando o Medo Assume o Controle

Sentir o coração disparar e falta de ar do nada assusta. Entenda por que o ataque de pânico parece um infarto e saiba o que fazer para acalmar a crise.

Mulher com a mão no peito sentindo aperto durante uma crise de pânico

Você está no meio de um dia comum e, do absoluto nada, uma onda avassaladora de medo toma conta de você. Em questão de segundos, o seu coração dispara tanto que parece que vai sair pelo peito, falta o ar, suas mãos começam a formigar e vem aquele pensamento apavorante: "Estou tendo um infarto" ou "Vou enlouquecer agora".

Se você já passou por isso, a primeira coisa que quero que você saiba é: você não está sozinho, e você não está morrendo. Essa experiência aterrorizante é o que a ciência chama de ataque de pânico. Na minha prática clínica, canso de receber pacientes que chegam ao consultório depois de passarem a noite na emergência do hospital, convictos de que sofreram um colapso cardíaco. Eles fazem eletrocardiograma, exames de sangue e o médico diz: "Seu coração está ótimo, isso é emocional".

Eu sou a Wenner Daniele e, neste artigo, quero te explicar de forma muito humana e sem termos médicos complicados o que acontece no seu corpo durante o pânico e como desarmar essa bomba relógio.

Por que o ataque de pânico parece um infarto?

Para responder a essa dúvida comum, nós precisamos olhar para o que os maiores institutos de saúde mental do mundo, como a Mayo Clinic e o National Institute of Mental Health (NIMH), dizem.

O ataque de pânico mimetiza um infarto porque ele ativa o nosso sistema mais primitivo de sobrevivência: o mecanismo de "luta ou fuga". Quando o seu cérebro (especialmente uma estruturazinha chamada amígdala) interpreta que você está em perigo — mesmo que você esteja apenas sentado no sofá —, ele injeta uma dose cavalar de adrenalina e cortisol na sua corrente sanguínea.

O seu corpo se prepara para lutar contra um predador ou correr para salvar a vida. Como consequência:

  • O coração acelera para bombear sangue rápido para as pernas e braços (gerando a taquicardia e o aperto no peito).
  • A respiração fica curta e rápida para entrar mais oxigênio (causando a sensação de sufocamento).
  • O sangue é desviado da pele para os órgãos vitais (o que dá o suor frio e o formigamento nas mãos).

Ou seja: os sintomas físicos do pânico são reais e assustadores, mas eles são o seu corpo funcionando perfeitamente para te proteger… o único problema é que o alarme disparou na hora errada.

Quais são os principais sintomas de uma crise de pânico?

Segundo o NIMH, uma crise de pânico atinge o seu pico de intensidade em até 10 minutos. Os sinais mais comuns que o seu corpo emite são:

  • Palpitações e batimentos cardíacos muito fortes
  • Falta de ar ou sensação de que o ar não enche o pulmão
  • Dor, peso ou desconforto na região do peito
  • Tontura, cabeça leve ou impressão de que vai desmaiar
  • Tremores nas pernas ou nas mãos e suor frio
  • Formigamento nos braços, pés ou ao redor da boca
  • Sensação de irrealidade (parece um sonho ou estar fora do corpo)
  • Medo desesperador de perder o controle, enlouquecer ou morrer
WD

🟢 Você não precisa viver com medo da próxima crise.

O pânico tenta te convencer de que você perdeu o controle sobre a sua vida, mas você pode aprender a reeducar o seu sistema de alerta. Vamos dar o primeiro passo juntas?

Wenner Daniele
Psicóloga Clínica | Especialista em Saúde Mental

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O que fazer no momento de uma crise de pânico?

Se o alarme disparou e a crise veio, tentar lutar contra ela ou se desesperar só vai jogar mais adrenalina no seu corpo, piorando os sintomas. No momento do pico, use essas três estratégias de ancoragem:

1Converse com você mesma (Manejo Cognitivo)

Repita mentalmente como um mantra: "Eu já fiz exames, meu coração está bem. Isso é apenas uma crise de pânico, é muito desconfortável, mas vai passar em alguns minutos e eu estou segura". Tirar o peso da morte acalma o cérebro.

2Use a respiração como freio biológico

Quando estamos em pânico, respiramos rápido demais (hiperventilação), e é isso que dá tontura. Force uma respiração onde você puxa o ar pelo nariz em 4 segundos e solta pela boca bem devagar, soprando, em 6 ou 7 segundos. A expiração longa avisa o coração que ele pode desacelerar.

3Toque no mundo real (Aterramento)

Tire os olhos do que você está sentindo por dentro. Olhe ao redor e nomeie em voz alta 3 objetos vermelhos no quarto, sinta o chão firme sob os seus pés ou segure uma pedra de gelo na mão. Isso traz a sua atenção de volta para o presente.

Quando as crises viram o Transtorno de Pânico?

Ter uma crise isolada na vida por conta de um estresse severo, um luto ou um esgotamento no trabalho pode acontecer. Mas as diretrizes da Mayo Clinic alertam: se você começou a ter crises frequentes e, pior, se você vive agora com o "medo de ter medo" — mudando sua rotina, deixando de ir ao mercado, evitando dirigir ou pegar elevador por medo de passar mal —, você pode estar desenvolvendo o Transtorno de Pânico.

O pânico é como um terreno que vai ganhando espaço na nossa vida se a gente não colocar uma cerca. Ele começa limitando pequenas coisas até paralisar a nossa rotina por completo.

Como a psicoterapia te ajuda a retomar as rédeas

A boa notícia que eu sempre dou no consultório é que o pânico tem tratamento e a resposta costuma ser excelente. Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), nós não fazemos milagres, nós fazemos ciência.

Nós vamos investigar quais são os pensamentos e estresses acumulados que estão superaquecendo o seu sistema de alarme. Juntas, vamos reestruturar essas interpretações catastróficas e treinar o seu cérebro — através de técnicas práticas — para que ele entenda que o perigo não é real. Você vai reaprender a confiar no seu próprio corpo.

Se você cansou de viver refém do medo e quer aprender a acalmar o seu corpo de verdade, clique aqui e vamos conversar.

Referências Técnicas: Mayo Clinic (Panic Attacks and Panic Disorder — Symptoms and Causes); National Institute of Mental Health — NIMH (Panic Disorder: When Fear Overwhelms).

WD

Sobre a autora

Wenner Daniele

Wenner Daniele é Psicóloga Clínica e Pesquisadora (CRP-24), especialista em saúde mental, regulação emocional e tratamento de transtornos de ansiedade e pânico. Através de uma abordagem humanizada e baseada em evidências científicas, ajuda pacientes a desarmarem seus gatilhos de medo, superarem a exaustão mental e resgatarem a liberdade e a qualidade de vida.

Conheça minha trajetória

Toda mente carrega uma história.

A terapia pode ser um espaço seguro para compreender emoções, fortalecer recursos internos e construir novos caminhos.

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