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Saúde Mental

Tomo remédio para ansiedade ou depressão e continuo mal: 15 motivos que podem explicar

Foto de Wenner Daniele, psicóloga clínica CRP 24/01431Por Wenner Daniele · CRP 24/01431
Atualizado em 18 de setembro de 2026 20 min de leitura
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Morar fora do Brasil pode representar a realização de um projeto de vida. Mas também pode trazer mudanças profundas na rotina, nos relacionamentos, na identidade e na forma como lidamos com nossas próprias emoções. Para algumas pessoas, é durante esse processo que surgem ou se intensificam sintomas de ansiedade e depressão.

Quando isso acontece, é comum procurar ajuda e iniciar um tratamento medicamentoso. Mas e quando, mesmo tomando o remédio, você continua se sentindo mal?

Essa é uma dúvida que pode gerar muita frustração. Você toma a medicação todos os dias, espera uma melhora, tenta seguir a vida normalmente. Mas a ansiedade continua, a tristeza não passa, o sono permanece ruim ou a sensação de falta de energia continua presente.

Para quem vive no exterior, essa experiência pode ser ainda mais complexa. Além dos sintomas psicológicos, existe todo o contexto de estar longe da família, viver em outro idioma, construir novas relações, adaptar-se a uma cultura diferente e lidar com responsabilidades que muitas vezes precisam ser enfrentadas sem a mesma rede de apoio que existia no Brasil.

Pesquisas realizadas com brasileiros que vivem nos Estados Unidos e em Portugal mostram que fatores relacionados à experiência migratória, como idioma, apoio social, condições de vida e adaptação ao novo país, podem estar relacionados à saúde mental. Isso não significa que morar fora seja a causa da ansiedade ou da depressão, nem que todos os brasileiros no exterior vivenciem as mesmas dificuldades.

Significa que, quando uma pessoa continua sofrendo apesar do tratamento, é importante olhar para sua história de forma completa.

O medicamento pode ser uma parte importante do cuidado, mas a pergunta não precisa ser apenas se ele está funcionando. Também precisamos compreender quais sintomas continuam presentes, o que mudou desde o início do tratamento, como está a vida dessa pessoa e se existem outros fatores contribuindo para a manutenção do sofrimento.

Neste artigo, você vai entender 15 possibilidades que podem explicar por que alguém pode continuar se sentindo mal mesmo tomando remédio para ansiedade ou depressão, incluindo aspectos do tratamento e situações que podem ser especialmente importantes para brasileiros que vivem no exterior.

  1. 01Tomo remédio para ansiedade ou depressão e continuo mal. Por quê?
  2. 021. Pode ainda não ter passado tempo suficiente
  3. 033. Pode ter acontecido uma resposta parcial
  4. 044. Os efeitos colaterais podem estar fazendo você continuar se sentindo mal
  5. 055. Pode ser necessário rever o medicamento utilizado
  6. 066. A rotina de quem vive no exterior pode dificultar o acompanhamento
  7. 077. Pode estar difícil falar sobre o que realmente está acontecendo
  8. 08Como explicar que está com medo de perder o controle?
  9. 098. Pode existir outra condição psicológica associada
  10. 109. O diagnóstico pode precisar ser reavaliado
  11. 1110. Uma condição médica pode estar contribuindo para os sintomas
  12. 1211. Outros medicamentos, álcool ou substâncias podem interferir
  13. 1312. O problema que contribuiu para o sofrimento pode continuar presente
  14. 1413. Viver no exterior pode acrescentar fatores ao sofrimento emocional
  15. 15O que estudos com brasileiros no exterior mostram?
  16. 16Brasileiros nos Estados Unidos
  17. 1714. A medicação e a psicoterapia podem ter papéis complementares
  18. 1815. Talvez seja necessário reavaliar o tratamento como um todo
  19. 19“Por que o remédio não funciona?”
  20. 20O que melhorou desde que comecei o tratamento?
  21. 21E se eu comecei a me sentir pior depois que fui morar fora?
  22. 22O que aconteceu antes da mudança?
  23. 23O que fazer quando tomo remédio para ansiedade ou depressão e continuo mal?
  24. 24Posso fazer terapia mesmo tomando medicamento?
  25. 25O que não fazer
  26. 26Quando procurar ajuda urgente
  27. 27Conclusão
  28. 28Como está sendo a sua vida nesse país enquanto você tenta melhorar?
  29. 29Sobre a psicóloga
  30. 30Perguntas frequentes
01

Tomo remédio para ansiedade ou depressão e continuo mal. Por quê?

Continuar apresentando sintomas durante o uso de uma medicação não significa automaticamente que o medicamento não funciona.

Existem diferentes possibilidades. Pode ser que ainda não tenha passado tempo suficiente para avaliar a resposta, que tenha ocorrido apenas uma melhora parcial, que os efeitos colaterais estejam interferindo na qualidade de vida ou que seja necessário reavaliar a dose, o medicamento, o diagnóstico ou a estratégia de tratamento.

Também é possível que existam outros fatores psicológicos, sociais ou médicos contribuindo para a permanência dos sintomas.

Quando a pessoa vive fora do Brasil, existe ainda uma dimensão importante: o contexto em que ela está tentando melhorar.

Uma pessoa pode estar tomando a medicação corretamente e, ao mesmo tempo, enfrentando isolamento, dificuldade com o idioma, problemas profissionais, conflitos familiares, dificuldades financeiras, mudanças no relacionamento ou a pressão de construir uma nova vida em outro país.

Por isso, compreender o tratamento também significa compreender a vida que está acontecendo ao redor dele.

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1. Pode ainda não ter passado tempo suficiente

Uma das primeiras questões que precisam ser avaliadas é o tempo de tratamento.

Medicamentos antidepressivos não costumam produzir todos os seus efeitos imediatamente. A resposta pode aparecer progressivamente e diferentes sintomas podem melhorar em momentos diferentes.

Por isso, começar um medicamento e concluir poucos dias depois que ele não funciona pode ser precipitado.

Ao mesmo tempo, isso não significa que a pessoa deva esperar indefinidamente sem acompanhamento.

Quando os sintomas continuam importantes, é necessário conversar com o profissional responsável para avaliar a evolução do quadro e decidir se é possível continuar observando a resposta ou se alguma mudança é necessária.

O tempo adequado depende do medicamento, da indicação, da dose, da resposta individual e da tolerabilidade.

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3. Pode ter acontecido uma resposta parcial

Esse é um dos motivos que mais confundem quem está em tratamento.

Imagine uma pessoa que antes tinha crises frequentes, dormia muito mal e evitava determinadas situações.

Depois de iniciar o medicamento, as crises diminuíram e o sono melhorou, mas ela continua evitando pessoas, apresenta pensamentos negativos e não consegue retomar atividades importantes.

Dizer simplesmente que o remédio não funcionou não descreve exatamente o que aconteceu.

Pode ter ocorrido uma resposta parcial.

Na depressão, a literatura científica diferencia ausência de resposta, resposta insuficiente e resistência ao tratamento. Essa distinção é importante porque uma aparente falta de resposta pode estar relacionada a fatores como tratamento inadequado, dificuldades de adesão, diagnóstico que precisa ser revisto ou presença de outras condições.

Por isso, continuar apresentando alguns sintomas não significa automaticamente que o medicamento não esteja produzindo nenhum efeito.

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4. Os efeitos colaterais podem estar fazendo você continuar se sentindo mal

Também é possível que o medicamento esteja ajudando em determinados sintomas e, ao mesmo tempo, esteja provocando efeitos que incomodam.

Sonolência, alterações gastrointestinais, mudanças na função sexual, alterações do sono e outras reações podem ocorrer dependendo do medicamento.

Nesse caso, a pessoa pode perceber apenas que continua mal, sem conseguir separar o que pertence ao quadro original e o que pode estar relacionado ao tratamento.

Por isso, durante o acompanhamento, não é suficiente perguntar apenas se o medicamento funcionou.

É importante observar o que melhorou, o que permaneceu e o que apareceu depois do início da medicação.

Essa diferença pode mudar a avaliação do tratamento.

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5. Pode ser necessário rever o medicamento utilizado

Pessoas diferentes podem responder de maneiras diferentes ao mesmo medicamento.

Uma medicação que foi bem tolerada e eficaz para uma pessoa pode não produzir o mesmo resultado em outra.

Quando a resposta é insuficiente, o médico pode avaliar outras possibilidades terapêuticas considerando os sintomas, os efeitos adversos, tratamentos anteriores e características individuais.

Isso não significa que exista necessariamente algo errado com você.

Significa que o tratamento precisa ser individualizado.

As diretrizes clínicas para depressão reconhecem diferentes estratégias quando a resposta ao tratamento inicial é inadequada, considerando o quadro e a história de cada pessoa.

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6. A rotina de quem vive no exterior pode dificultar o acompanhamento

Quando você mora fora do Brasil, o próprio acesso ao tratamento pode funcionar de maneira diferente.

Você pode precisar explicar seus sintomas em outro idioma, entender um sistema de saúde diferente, encontrar um profissional disponível ou lidar com diferenças culturais na forma de falar sobre saúde mental.

Também pode existir dificuldade para manter consultas regulares por causa do trabalho, dos horários, da situação financeira ou da própria rotina migratória.

Uma revisão específica sobre brasileiros imigrantes nos Estados Unidos identificou temas relacionados às necessidades de cuidado em saúde mental, apoio social, trabalho, discriminação, equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, coesão comunitária e aculturação.

Isso não significa que todos os brasileiros que vivem nos Estados Unidos enfrentem essas dificuldades.

Mas mostra por que a experiência migratória precisa ser considerada quando avaliamos a saúde mental de brasileiros que vivem fora.

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7. Pode estar difícil falar sobre o que realmente está acontecendo

Existe uma diferença entre conseguir conversar em outro idioma e conseguir expressar sofrimento psicológico em outro idioma.

Você pode saber trabalhar, fazer compras, resolver problemas e conversar no cotidiano.

Mas explicar exatamente como você se sente pode ser muito mais difícil.

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Como explicar que está com medo de perder o controle?

Como explicar para um profissional estrangeiro que, apesar de sua vida parecer boa para quem está no Brasil, você não está bem?

Para alguns brasileiros que vivem no exterior, falar sobre saúde mental em português pode facilitar a expressão de experiências que seriam difíceis de traduzir.

Isso não significa que um profissional estrangeiro não possa oferecer um bom tratamento.

Significa que idioma e cultura podem influenciar a experiência de cuidado.

Em um estudo realizado com brasileiros imigrantes em Massachusetts, nos Estados Unidos, menor proficiência em inglês esteve associada a maior presença de sintomas depressivos entre os participantes avaliados.

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8. Pode existir outra condição psicológica associada

Ansiedade e depressão podem coexistir com outras condições psicológicas.

Uma pessoa pode apresentar sintomas depressivos e também ter dificuldades importantes relacionadas à ansiedade, trauma, TDAH, uso de substâncias ou outros problemas de saúde mental.

Quando mais de uma condição está presente, tratar apenas uma parte do problema pode não produzir a melhora esperada.

Isso não significa que toda pessoa que não melhora tenha outro transtorno.

Significa que a persistência dos sintomas pode ser um motivo para ampliar a avaliação clínica.

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9. O diagnóstico pode precisar ser reavaliado

O diagnóstico é construído a partir das informações disponíveis durante a avaliação clínica.

Com o tempo, novos sintomas podem aparecer e outras características do quadro podem ficar mais claras.

Por isso, quando uma pessoa não apresenta a resposta esperada, o profissional pode precisar rever a hipótese diagnóstica.

Essa revisão é especialmente importante porque diferentes condições podem apresentar sintomas semelhantes no início, mas exigir estratégias de tratamento diferentes.

Reavaliar um diagnóstico não significa necessariamente que o primeiro diagnóstico estava errado.

Significa que a avaliação clínica pode ser aperfeiçoada à medida que novas informações aparecem.

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10. Uma condição médica pode estar contribuindo para os sintomas

Nem todo sintoma emocional tem origem exclusivamente psicológica.

Algumas condições médicas podem produzir sintomas semelhantes aos observados em transtornos mentais ou agravar sintomas que já estavam presentes.

Alterações da função da tireoide são um exemplo estudado na literatura.

Dependendo da história clínica, o médico pode considerar se existe indicação de investigação complementar.

Isso não significa que a tireoide explique a maioria dos casos de depressão ou ansiedade.

Significa apenas que, quando os sintomas persistem ou apresentam características que merecem investigação, o cuidado precisa considerar a saúde da pessoa como um todo.

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11. Outros medicamentos, álcool ou substâncias podem interferir

Quando uma pessoa utiliza medicação psiquiátrica, é importante informar ao médico todos os outros medicamentos e substâncias utilizados.

Isso inclui medicamentos prescritos por outros profissionais, medicamentos comprados sem receita, suplementos, álcool e outras substâncias.

Algumas combinações podem aumentar efeitos adversos ou alterar a segurança do tratamento.

Por isso, não esconda uma informação porque acredita que ela não tem relação com o problema.

Para o profissional responsável pela prescrição, essa informação pode ser importante para compreender por que o tratamento está ou não funcionando como esperado.

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12. O problema que contribuiu para o sofrimento pode continuar presente

Existe uma diferença entre tratar sintomas e modificar todas as circunstâncias que estão contribuindo para o sofrimento.

Imagine uma pessoa que começou a tomar medicamento depois de meses enfrentando dificuldades financeiras, conflitos familiares, problemas profissionais, uma separação ou uma mudança importante de vida.

O medicamento pode ajudar a reduzir determinados sintomas, mas não elimina automaticamente todas essas circunstâncias.

Para um brasileiro que vive no exterior, isso pode envolver situações muito específicas.

Pode ser a distância da família.

Pode ser a dificuldade com o idioma.

Pode ser a pressão no trabalho.

Pode ser a preocupação com dinheiro.

Pode ser um relacionamento que mudou depois da imigração.

Pode ser a sensação de que todos esperam que você esteja feliz porque conseguiu morar fora.

A pessoa pode estar recebendo tratamento e, ao mesmo tempo, continuar vivendo em uma situação que exige muito emocionalmente.

Por isso, compreender o contexto em que os sintomas aparecem e se mantêm é parte importante do cuidado.

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13. Viver no exterior pode acrescentar fatores ao sofrimento emocional

Quando você mora fora do Brasil, pode existir uma camada do sofrimento que não aparece quando olhamos apenas para o diagnóstico.

Você pode sentir falta da sua família, ter medo de receber uma notícia ruim enquanto está longe, sentir culpa por não estar presente em momentos importantes ou perceber que seus vínculos mudaram depois da mudança.

Também pode existir a dificuldade de viver em outro idioma.

Você pode conseguir se comunicar, mas ainda assim sentir que não consegue expressar exatamente quem é, o que pensa ou o que sente.

Para algumas pessoas, a mudança também traz uma sensação de perda de identidade.

Você deixou de ser exatamente quem era no Brasil, mas ainda não se sente completamente pertencente ao país onde vive.

Existe ainda uma pressão que muitos brasileiros no exterior conhecem bem: a sensação de que precisam mostrar que a mudança deu certo.

Por fora, a pessoa trabalha, paga suas contas, viaja, publica fotos e parece estar vivendo uma vida nova.

Por dentro, pode estar cansada, ansiosa, triste ou completamente desconectada de si mesma.

Isso não significa que morar no exterior seja a causa da depressão ou da ansiedade.

Significa que a experiência migratória pode fazer parte da história que precisa ser compreendida quando alguém está em sofrimento.

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O que estudos com brasileiros no exterior mostram?

Não precisamos falar apenas de imigrantes de maneira geral.

Já existem pesquisas que investigaram especificamente brasileiros vivendo fora do país.

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Brasileiros nos Estados Unidos

Um estudo realizado em Massachusetts avaliou brasileiros imigrantes adultos. Os participantes foram recrutados no Consulado-Geral do Brasil em Boston e em eventos religiosos da comunidade brasileira.

Na amostra estudada, 35,3% apresentaram sintomas depressivos segundo a escala utilizada pelos pesquisadores.

Os autores encontraram associação entre sintomas depressivos e fatores como menor renda, estar solteiro, menor proficiência em inglês e pior percepção da própria saúde.

É importante observar que essa foi uma amostra específica e que seus resultados não representam automaticamente todos os brasileiros que vivem nos Estados Unidos.

Ainda assim, o estudo é relevante porque investigou diretamente brasileiros imigrantes e mostra como fatores relacionados à vida no exterior podem aparecer associados à saúde mental.

Mulheres brasileiras vivendo nos Estados Unidos

Outro estudo avaliou mulheres brasileiras imigrantes vivendo nos Estados Unidos.

Foram analisadas 351 participantes. Cerca de 52% apresentaram pontuação indicativa de sintomatologia depressiva na escala utilizada.

Os pesquisadores também encontraram associação entre experiências de discriminação e maior sintomatologia depressiva, enquanto maior apoio social esteve associado a menores níveis de sintomas.

Novamente, isso não significa que discriminação ou falta de apoio expliquem todos os casos de depressão.

Mas mostra como fatores sociais e relacionais podem estar relacionados à saúde mental de brasileiras que vivem nos Estados Unidos.

Brasileiros vivendo em Portugal

Portugal também merece atenção quando falamos sobre brasileiros no exterior.

Um estudo realizado durante o período posterior à pandemia avaliou 604 imigrantes, sendo 322 brasileiros e 282 cabo-verdianos.

Entre os brasileiros avaliados, os pesquisadores encontraram 10,4% com ansiedade moderada a grave e 29,6% com sintomas de depressão moderada a grave.

Os pesquisadores também investigaram fatores relacionados à saúde mental, incluindo resiliência, apoio social e familiar e percepção de discriminação.

Esses dados não permitem afirmar que morar em Portugal causa ansiedade ou depressão.

Também não permitem dizer que todos os brasileiros que vivem no país apresentam o mesmo quadro.

O que eles mostram é que a saúde mental de brasileiros imigrantes precisa ser compreendida dentro de seu contexto social e migratório.

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14. A medicação e a psicoterapia podem ter papéis complementares

Esse é um ponto importante.

A psicoterapia pode trabalhar pensamentos automáticos, interpretações, comportamentos de esquiva, exposição gradual a situações temidas, resolução de problemas, regulação emocional e padrões de relacionamento.

Isso não significa que a medicação seja insuficiente.

Também não significa que toda pessoa que utiliza medicamento precise obrigatoriamente fazer psicoterapia.

São formas diferentes de intervenção e, em determinadas situações, podem ser utilizadas em conjunto.

Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2024 avaliou os efeitos de longo prazo da psicoterapia, dos antidepressivos e do tratamento combinado para depressão.

Os autores encontraram resultados favoráveis em alguns desfechos de longo prazo para psicoterapia e tratamento combinado em comparação com farmacoterapia isolada, mas também destacaram limitações e heterogeneidade entre os estudos.

Por isso, não é correto concluir que remédio não funciona ou que todo mundo precisa de terapia.

O tratamento precisa ser individualizado.

Para brasileiros que vivem no exterior, a psicoterapia em português também pode oferecer um espaço para compreender questões relacionadas à experiência migratória, como adaptação, relacionamentos, família, identidade, pertencimento, trabalho e mudanças emocionais que aconteceram depois da mudança de país.

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15. Talvez seja necessário reavaliar o tratamento como um todo

Depois de considerar todas essas possibilidades, talvez a pergunta mais útil deixe de ser simplesmente:

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“Por que o remédio não funciona?”

Talvez seja necessário perguntar:

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O que melhorou desde que comecei o tratamento?

O que continua acontecendo?

Quais sintomas ainda interferem na minha vida?

Existem efeitos colaterais?

Estou conseguindo seguir o tratamento como foi orientado?

O diagnóstico continua fazendo sentido?

Existe alguma outra condição envolvida?

Como está meu sono?

Como está minha rotina?

O que está acontecendo na minha vida atualmente?

O fato de eu morar fora está relacionado a alguma parte desse sofrimento?

Tenho apoio emocional onde moro?

Consigo falar sobre o que sinto no idioma em que estou sendo atendido?

Quando uma pessoa continua apresentando sintomas apesar do tratamento, essa persistência é uma informação clínica importante.

Não é fracasso.

Não significa falta de força de vontade.

E não significa automaticamente que nenhum medicamento funcionará.

Pode significar que chegou o momento de olhar novamente para o tratamento como um todo.

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E se eu comecei a me sentir pior depois que fui morar fora?

Essa é uma pergunta diferente de simplesmente perguntar se o antidepressivo ou o medicamento para ansiedade está funcionando.

Algumas pessoas já apresentavam sintomas antes de emigrar.

Outras percebem mudanças importantes depois da chegada ao novo país.

Também existem pessoas que passam meses ou até anos aparentemente bem e somente depois começam a apresentar crises de ansiedade, sintomas depressivos, insônia ou dificuldade para funcionar.

A distância da família, o idioma, a adaptação cultural, as mudanças no trabalho, a situação financeira, os relacionamentos e a sensação de não pertencimento podem fazer parte desse processo.

Isso não significa que exista um único motivo para o sofrimento.

É justamente por isso que uma avaliação precisa considerar a história individual.

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O que aconteceu antes da mudança?

O que mudou depois?

Quando os sintomas começaram?

O que piora ou alivia?

Como estão os relacionamentos?

Como está o trabalho?

Como está o sono?

Quanto espaço existe para descanso e para vida pessoal?

Quando essas perguntas não são feitas, existe o risco de tentar explicar todo o sofrimento apenas pelo diagnóstico ou apenas pela medicação.

E a vida da pessoa é muito maior do que isso.

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O que fazer quando tomo remédio para ansiedade ou depressão e continuo mal?

O primeiro passo é conversar com o profissional responsável pela prescrição.

Explique quais sintomas continuam presentes e quais melhoraram.

Conte sobre os efeitos colaterais.

Informe outros medicamentos, suplementos, álcool ou outras substâncias utilizadas.

Fale sobre seu sono e sobre mudanças importantes que aconteceram desde o início do tratamento.

Se você mora fora do Brasil, também conte se a experiência migratória está relacionada ao sofrimento.

Distância da família, dificuldade com o idioma, mudanças culturais, trabalho, relacionamentos, situação financeira e sensação de não pertencimento podem ser informações clinicamente relevantes.

Não altere a medicação sozinho.

Dependendo da avaliação, o médico poderá considerar ajustes no tratamento, investigar outras condições, rever o diagnóstico ou discutir outras estratégias terapêuticas.

A psicoterapia também pode fazer parte desse cuidado.

Para brasileiros que vivem no exterior, pode ser importante encontrar um espaço em que seja possível falar em português sobre aquilo que está acontecendo, sem precisar traduzir sentimentos, referências culturais e experiências familiares para conseguir ser compreendido.

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Posso fazer terapia mesmo tomando medicamento?

Sim.

A utilização de medicação não impede a realização de psicoterapia.

Em determinadas situações, psicoterapia e tratamento medicamentoso podem fazer parte do mesmo plano de cuidado.

A decisão depende do quadro clínico, dos sintomas, dos objetivos do tratamento e das necessidades da pessoa.

Para quem vive no exterior, a psicoterapia também pode ser um espaço para compreender questões que não aparecem necessariamente na consulta médica, como dificuldades de adaptação, relacionamentos, conflitos familiares, medo, culpa, solidão, identidade, pertencimento, trabalho e mudanças que aconteceram depois da imigração.

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O que não fazer

Não aumente a dose por conta própria.

Não reduza a dose por conta própria.

Não interrompa o antidepressivo ou outro medicamento psiquiátrico sem conversar com o profissional responsável.

Não utilize medicamento prescrito para outra pessoa.

Não troque de medicamento com base em relatos encontrados na internet.

A interrupção de determinados antidepressivos pode provocar sintomas de descontinuação. Por isso, mudanças no tratamento precisam ser discutidas com o profissional responsável e, quando indicada a retirada, ela pode precisar ser gradual.

Se você está morando fora do Brasil e não consegue falar com o profissional que prescreveu sua medicação, procure um serviço de saúde no país onde está vivendo para receber orientação adequada.

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Quando procurar ajuda urgente

Se surgirem pensamentos de suicídio, intenção de se machucar ou sensação de risco imediato, procure atendimento de emergência no país onde você estiver.

Se estiver nos Estados Unidos, procure o serviço de emergência ou de crise disponível na sua região.

Se estiver em Portugal, procure o serviço de emergência ou atendimento de saúde disponível localmente.

O mesmo vale para qualquer outro país.

Em uma situação de risco imediato, um conteúdo na internet não substitui uma avaliação profissional.

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Conclusão

Tomar medicamento para ansiedade ou depressão e continuar se sentindo mal não significa automaticamente que o medicamento não funciona.

Pode ser necessário mais tempo, ajuste, mudança de estratégia, investigação de outros fatores ou revisão do diagnóstico.

Também pode existir uma melhora parcial, efeitos colaterais, dificuldade de acesso ao acompanhamento ou alguma condição psicológica ou médica contribuindo para a permanência dos sintomas.

Mas, quando você vive fora do Brasil, existe uma pergunta adicional que merece espaço:

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Como está sendo a sua vida nesse país enquanto você tenta melhorar?

Porque talvez você não esteja apenas lidando com ansiedade ou depressão.

Talvez esteja tentando construir uma vida em outro idioma.

Talvez esteja longe dos seus pais, dos seus filhos, dos seus amigos ou das pessoas que sempre fizeram parte da sua rede de apoio.

Talvez esteja enfrentando dificuldades no trabalho, em um relacionamento ou no processo de adaptação.

Talvez esteja vivendo uma vida que parece muito boa para quem olha de fora, mas que internamente não está fazendo sentido para você.

Tudo isso pode fazer parte da compreensão do sofrimento.

Os estudos realizados com brasileiros nos Estados Unidos e em Portugal mostram a importância de considerar fatores sociais, culturais, econômicos, linguísticos e relacionais quando pensamos sobre saúde mental nessa população.

Isso não significa transformar toda dificuldade de morar fora em transtorno psicológico.

Significa olhar para a pessoa inteira.

Na psicoterapia, não olhamos apenas para o nome do diagnóstico.

Olhamos para a pessoa, sua história, seus pensamentos, seus comportamentos, seus relacionamentos e o contexto em que ela está vivendo.

Para brasileiros que moram no exterior, isso também significa poder falar sobre essas experiências em português, sem precisar traduzir aquilo que sente para conseguir ser compreendido.

A medicação pode ser uma parte importante do tratamento quando existe indicação médica.

A psicoterapia pode contribuir para compreender e trabalhar fatores psicológicos e comportamentais envolvidos.

Em determinadas situações, as duas abordagens podem fazer parte do mesmo cuidado.

Se você mora fora do Brasil, toma medicação para ansiedade ou depressão e sente que ainda não conseguiu recuperar sua qualidade de vida, talvez seja importante olhar para o tratamento de forma mais ampla.

Você não precisa escolher entre “é psicológico”, “é o remédio” ou “é porque moro fora”.

É possível investigar cada uma dessas possibilidades e compreender o que está acontecendo com você.

A WYNEED oferece psicoterapia online em português para brasileiros que vivem no exterior, com abordagem baseada em evidências científicas, Neurociência e Terapia Cognitivo-Comportamental. ( APA — Terapia cognitivo-comportamental (TCC).)

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Sobre a psicóloga

Wenner Daniele, psicóloga, CRP 24/01431, é fundadora da WYNEED e atua há 13 anos na psicologia clínica. Atende brasileiros que vivem no exterior por meio da psicoterapia online, com abordagem baseada em evidências científicas, Terapia Cognitivo-Comportamental e conhecimentos em Neurociência.

Seu trabalho busca compreender não apenas os sintomas, mas também a história e o contexto de vida de cada pessoa, especialmente os desafios emocionais de quem está construindo a vida longe do Brasil.

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Perguntas frequentes

Por que tomo antidepressivo e continuo deprimido?

Existem várias possibilidades. Pode ser necessário mais tempo para avaliar a resposta, pode ter ocorrido uma melhora parcial, podem existir efeitos adversos, dificuldades para manter o tratamento, outra condição associada ou necessidade de rever o diagnóstico e a estratégia terapêutica.

Por que tomo remédio para ansiedade e continuo ansioso?

A medicação pode produzir uma melhora parcial enquanto alguns sintomas continuam presentes. Fatores psicológicos, comportamentais, sociais e ambientais também podem contribuir para a manutenção dos sintomas.

Posso continuar tendo ansiedade mesmo tomando medicamento?

Sim. É possível apresentar sintomas residuais mesmo durante um tratamento que esteja produzindo algum benefício.

O que fazer quando o antidepressivo não parece funcionar?

Converse com o médico responsável pela prescrição. A persistência dos sintomas pode justificar uma avaliação mais ampla do diagnóstico, dose, adesão, efeitos adversos, outras condições e estratégia de tratamento.

Preciso fazer terapia se já tomo medicamento?

Não existe uma resposta igual para todas as pessoas. A necessidade de psicoterapia depende do diagnóstico, dos sintomas, do contexto de vida, dos objetivos do tratamento e das necessidades da pessoa.

A medicação pode funcionar melhor junto com terapia?

Em algumas situações, psicoterapia e medicação podem fazer parte do mesmo tratamento. Estudos sobre depressão indicam benefícios de diferentes estratégias em determinados desfechos, mas a escolha precisa ser individualizada.

Morar no exterior pode contribuir para eu continuar mal?

Pode fazer parte do contexto. A distância da família, barreiras linguísticas, mudanças culturais, dificuldades profissionais, discriminação, falta de apoio social e outros fatores relacionados à experiência migratória podem contribuir para o sofrimento de algumas pessoas. Isso não significa que morar fora seja a causa de todos os sintomas.    

Existe pesquisa sobre saúde mental de brasileiros nos Estados Unidos?

Sim. Existem estudos específicos com brasileiros imigrantes nos Estados Unidos, incluindo pesquisas realizadas em Massachusetts e estudos com mulheres brasileiras vivendo no país. Essas pesquisas investigaram sintomas depressivos, acesso ao cuidado, idioma, discriminação, apoio social e outros aspectos da experiência migratória.

Existem estudos sobre brasileiros em Portugal?

Sim. Há pesquisas que incluíram brasileiros imigrantes vivendo em Portugal e investigaram ansiedade, depressão, sofrimento psicológico, discriminação, resiliência e outros fatores relacionados à saúde mental.

Cada leitura é um convite ao cuidado com a própria mente — o primeiro passo pode ser conversar.

Foto de Wenner Daniele, psicóloga clínica CRP 24/01431

Wenner Daniele

Psicóloga Clínica · CRP 24/01431

Falar com a psicóloga
  1. Depression and Its Correlates Among Brazilian Immigrants in Massachusetts, USA. Journal of Immigrant and Minority Health. 2018;20:134-140. doi:10.1007/s10903-017-0632-2.
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  3. Allen JD, Kunicki ZJ, Greaney ML. Mental Health of Brazilian Immigrant Women: The Role of Discrimination, Social Support, and Community Strengths. Journal of Immigrant and Minority Health. 2023;25(5):1016-1024.
  4. Mental Health and Well-Being of Migrant Populations in Portugal Two Years after the COVID-19 Pandemic. International Journal of Environmental Research and Public Health. 2023.
  5. McIntyre RS, Alsuwaidan M, Baune BT, et al. Treatment-resistant depression: Definition, prevalence, detection, management, and investigational interventions. World Psychiatry. 2023;22(3):394-412. doi:10.1002/wps.21120