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Saúde Mental

Crise de ansiedade: sintomas, causas, o que fazer e tratamento

Foto de Wenner Daniele, psicóloga clínica CRP 24/01431Por Wenner Daniele · CRP 24/01431
Atualizado em 13 de setembro de 2026 11 min de leitura
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Poucas experiências assustam tanto quanto uma crise de ansiedade, e talvez por isso ela seja um dos motivos mais comuns de busca por atendimento no meu consultório: a pessoa chega descrevendo um episódio em que o corpo parecia estar entrando em colapso, muitas vezes já tendo passado por um pronto-socorro, e quer entender o que aconteceu e, principalmente, como evitar que aconteça de novo.

Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação médica ou psicológica. Se você está tendo sintomas físicos intensos agora, procure avaliação médica para descartar outras causas antes de atribuí-los à ansiedade.

Fonte: OMS — Transtornos de ansiedade (fact sheet).

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Resumo rápido

  • Uma crise de ansiedade é uma ativação intensa do sistema de resposta a ameaças do corpo, mesmo sem um perigo real e imediato.
  • Os sintomas físicos podem ser intensos o suficiente para parecer uma emergência cardíaca ou respiratória, e isso é uma reação compreensível, não exagero.
  • Crise de ansiedade e ataque de pânico têm uma diferença clínica, mas os dois merecem o mesmo cuidado e a mesma seriedade.
  • Existem coisas práticas que ajudam durante uma crise, mas o tratamento de fundo é psicoterapia, com medicação em alguns casos, quando indicada por um médico.
  • Crises recorrentes merecem avaliação profissional, não porque algo esteja "errado" com você, mas porque existem tratamentos com boa evidência científica para isso.
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O que é uma crise de ansiedade?

Uma crise de ansiedade é uma ativação intensa e concentrada do sistema de resposta a ameaças do corpo, o mesmo sistema que existe para nos proteger de um perigo real, mas que, nesses episódios, dispara com força total mesmo sem uma ameaça física imediata. Ela pode surgir associada a um gatilho identificável, como uma situação de muito estresse ou uma preocupação específica, ou parecer surgir do nada, o que costuma ser ainda mais assustador para quem passa por isso.

Independente do gatilho, o corpo reage como se a vida estivesse em risco, e é exatamente essa discrepância entre a intensidade da reação e a ausência de um perigo real que torna a experiência tão difícil de entender por dentro, no momento em que ela acontece.

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Sintomas durante a crise

Durante uma crise de ansiedade, é comum que vários sintomas apareçam ao mesmo tempo, com intensidade que costuma crescer rapidamente:

  • Coração acelerado, palpitações
  • Falta de ar ou sensação de sufocamento
  • Aperto ou dor no peito
  • Tontura ou sensação de desmaio iminente
  • Tremores e sudorese
  • Formigamento em mãos, pés ou rosto
  • Náusea ou desconforto abdominal
  • Sensação de irrealidade ou de estar fora do próprio corpo
  • Medo intenso de morrer, de perder o controle, ou de estar "enlouquecendo"
  • Calafrios ou ondas de calor

Kyriakoulis e Kyrios, autores de uma revisão publicada na Frontiers in Psychiatry em 2023 sobre as teorias biológicas e cognitivas do transtorno de pânico, descrevem esse conjunto de sintomas como resultado direto da ativação da amígdala e do sistema nervoso simpático diante de uma ameaça percebida, o que explica por que os sintomas afetam o corpo inteiro e não uma única região.

Uma coisa que sempre digo aos meus pacientes: nenhum desses sintomas, isoladamente, é perigoso. O coração acelerado durante uma crise não vai causar um infarto em um coração saudável, a falta de ar não vai fazer a pessoa parar de respirar de verdade, e a sensação de desmaio raramente termina em desmaio real, já que o próprio aumento da pressão arterial durante a ativação torna o desmaio menos provável, não mais. O problema não é o risco físico real, é o quanto essas sensações, por serem tão intensas, convencem a mente de que existe um risco.

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Por que o corpo reage assim: as causas

Existem hoje algumas explicações científicas bem estabelecidas sobre o que acontece no corpo e na mente durante uma crise, e considero importante que meus pacientes conheçam pelo menos duas delas, porque isso muda a forma como se relacionam com os próprios sintomas.

A primeira é biológica. Segundo Kyriakoulis e Kyrios, quando a amígdala interpreta algo como ameaça, ela aciona o sistema nervoso simpático, disparando a clássica resposta de luta ou fuga: o coração acelera, a respiração muda, os músculos tensionam.

Os autores também descrevem a chamada teoria da hiperventilação, que inclui a hipótese do "alarme falso de sufocamento" proposta pelo pesquisador Donald Klein: em algumas pessoas, o limiar que o cérebro usa para detectar falta de oxigênio estaria mais sensível do que deveria, fazendo com que pequenas quedas no nível de gás carbônico do sangue sejam interpretadas, erroneamente, como sufocamento iminente, disparando a crise.

A segunda explicação é cognitiva, e é a que mais uso no trabalho clínico. O modelo proposto pelo pesquisador David Clark, também descrito na revisão de Kyriakoulis e Kyrios, mostra como sensações corporais benignas, como uma palpitação ou uma tontura leve, podem ser interpretadas de forma catastrófica ("estou tendo um infarto", "vou desmaiar", "vou morrer"), e essa interpretação catastrófica gera mais sintomas físicos, que por sua vez reforçam a interpretação catastrófica, criando um ciclo que se autoalimenta. Comportamentos de segurança, como sair correndo da situação ou verificar o pulso repetidamente, costumam manter esse ciclo ativo em vez de resolvê-lo.

Entender essas duas explicações, juntas, ajuda a responder a uma pergunta que praticamente todo paciente me faz: "por que isso está acontecendo comigo?". A resposta não é "você é fraco" nem "está tudo na sua cabeça", é que existe um mecanismo biológico real, somado a um padrão de interpretação que pode ser identificado e trabalhado.

Vale acrescentar que fatores de predisposição também entram nessa equação. Períodos de estresse prolongado, privação de sono, consumo excessivo de cafeína ou estimulantes, e um histórico de crises anteriores podem deixar o sistema de alerta do corpo mais sensível, reduzindo o limiar necessário para que uma nova crise seja disparada. Isso não significa que a pessoa "provocou" a crise, significa que o corpo estava operando com menos margem de segurança naquele momento.

Já expliquei com mais detalhe o que acontece no cérebro durante uma crise →O que acontece no seu cérebro durante a crise

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Crise de ansiedade x ataque de pânico

Os dois termos costumam ser usados como sinônimos no dia a dia, mas há uma diferença clínica que vale a pena entender. Uma crise de ansiedade geralmente tem um gatilho identificável e cresce de forma mais gradual, acompanhando um período de tensão ou preocupação. Já um ataque de pânico, no contexto do transtorno de pânico, costuma surgir de forma abrupta, com um pico de sintomas intensos em poucos minutos, muitas vezes sem um gatilho claro, e é seguido, com frequência, pelo medo constante de ter uma nova crise, o que por si só já é um fator de manutenção do quadro.

Em ambos os casos, os sintomas físicos podem ser intensos o suficiente para parecer uma emergência cardíaca ou respiratória real. Isso é uma reação compreensível diante da intensidade do que o corpo está sentindo, e não uma prova de exagero ou de fragilidade emocional. Já escrevi especificamente sobre quando um ataque de pânico parece um infarto →Ataque de Pânico

O medo de ter uma nova crise

Um dos aspectos mais importantes do transtorno de pânico, e que costuma passar despercebido, é o chamado medo antecipatório: depois de uma ou duas crises, a pessoa passa a temer o próprio medo, monitorando constantemente o corpo em busca de sinais de uma nova crise, e evitando cada vez mais lugares e situações associadas aos episódios anteriores (dirigir, andar de avião, ficar em ambientes fechados ou longe de casa). Esse padrão, por si só, já é reconhecido como um fator de manutenção do quadro, e é justamente um dos pontos que a psicoterapia trabalha com mais cuidado.

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O que fazer durante uma crise

Não existe uma técnica mágica que interrompa uma crise instantaneamente, mas algumas estratégias, baseadas nos mesmos princípios da Terapia Cognitivo-Comportamental, ajudam a atravessar o episódio com menos sofrimento:

  • Nomear o que está acontecendo ("isto é uma crise de ansiedade, não um problema cardíaco") ajuda a reduzir a interpretação catastrófica que alimenta o ciclo
  • Diminuir o ritmo da respiração, sem forçar respirações muito profundas, que podem intensificar a hiperventilação
  • Manter contato com o ambiente ao redor, através dos sentidos (o que você vê, ouve, sente ao toque), em vez de focar exclusivamente nas sensações internas
  • Evitar sair correndo da situação sempre que possível, já que a fuga tende a reforçar, no cérebro, a ideia de que aquela situação era de fato perigosa
  • Lembrar que uma crise, por mais intensa que seja, tem um pico e tende a diminuir de intensidade ao longo de alguns minutos

Tenho um artigo com estratégias práticas mais detalhadas para o momento da crise →O que fazer durante uma crise de pânico

Quando procurar atendimento

Alguns sinais merecem avaliação médica imediata, antes de qualquer outra consideração:

Dor no peito, especialmente se for a primeira vez ou vier acompanhada de outros sinais de alarme

Falta de ar súbita e intensa que não melhora

Desmaio real, e não apenas a sensação de que vai desmaiar

Alterações neurológicas, como fraqueza de um lado do corpo ou alteração da fala

Qualquer sintoma que pareça diferente do seu padrão habitual de ansiedade

Fora do contexto de emergência, vale procurar acompanhamento psicológico quando as crises se tornam recorrentes, quando surge o medo constante de ter uma nova crise, ou quando você percebe que está evitando cada vez mais situações por causa disso. Nenhum desses sinais, isoladamente, precisa esperar para ser levado a sério, e quanto antes o quadro é trabalhado, menor tende a ser o espaço que a evitação toma na vida da pessoa. Se você estiver em risco imediato, procure um serviço de emergência.

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Tratamento: psicoterapia e medicação

A boa notícia é que crises de ansiedade e transtorno de pânico estão entre os quadros com melhor resposta a tratamento dentro da saúde mental.

O guia clínico do NICE (National Institute for Health and Care Excellence, do Reino Unido), uma das referências mais respeitadas em diretrizes de tratamento, recomenda a Terapia Cognitivo-Comportamental como uma das principais abordagens para transtorno de pânico, geralmente estruturada em algumas semanas de sessões, podendo ser combinada com medicação antidepressiva quando o quadro é mais duradouro ou quando a pessoa não respondeu bem só à psicoterapia. O mesmo guia é claro ao desaconselhar o uso de benzodiazepínicos como tratamento de longo prazo para esse quadro, reservando-os para situações pontuais e por curto período.

Isso é consistente com o que Stewart e Chambless encontraram em uma meta-análise sobre a efetividade da TCC na prática clínica real, fora de ambientes de pesquisa: resultados favoráveis para diferentes transtornos de ansiedade, incluindo abordagens de exposição, que são particularmente úteis para quem vem evitando cada vez mais situações por medo de ter uma nova crise.

Na prática, a psicoterapia para crise de ansiedade e transtorno de pânico trabalha justamente os dois mecanismos que descrevi na seção sobre causas: ajuda a pessoa a reinterpretar as sensações corporais de forma menos catastrófica, e reduz, aos poucos, os comportamentos de evitação e de segurança que mantêm o ciclo ativo.

Veja como a TCC pode desarmar a síndrome do pânico, com um exemplo real de acompanhamento →Síndrome do Pânico

Se você tem tido crises recorrentes, ofereço psicoterapia online para ansiedade, em português, com primeira sessão gratuita. Conheça o atendimento →Psicoterapia em português, para brasileiros em todo o mundo.

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Como ajudar alguém em crise

Se você está com alguém durante uma crise de ansiedade, algumas atitudes simples ajudam mais do que parece: manter a calma e falar em um tom de voz tranquilo, evitar frases como "é só ansiedade" ou "se acalma", que costumam soar invalidantes, ajudar a pessoa a diminuir o ritmo da respiração junto com você, e lembrá-la, com paciência, de que a crise vai passar. Buscar ajuda médica é sempre a prioridade se houver qualquer dúvida sobre a origem dos sintomas.

Evite também minimizar o que a pessoa está sentindo depois que a crise passa, com frases como "não foi nada" ou "você está bem agora". Para quem acabou de viver uma ativação daquela intensidade, o corpo ainda está processando o que aconteceu, e validar a experiência (sem alimentar o medo de uma próxima crise) costuma ajudar mais do que apressar a pessoa a seguir em frente.

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Perguntas frequentes

O que é uma crise de ansiedade?

É uma ativação intensa do sistema de resposta a ameaças do corpo, com sintomas físicos e emocionais fortes, mesmo sem um perigo real e imediato.

Quais são os sintomas de uma crise de ansiedade?

Coração acelerado, falta de ar, aperto no peito, tontura, tremores, formigamento, náusea e medo intenso estão entre os mais comuns.

Crise de ansiedade e ataque de pânico são a mesma coisa?

São parecidos, mas não idênticos. Uma crise de ansiedade costuma ter um gatilho identificável e crescer de forma gradual, enquanto um ataque de pânico pode surgir de forma abrupta, sem aviso.

Uma crise de ansiedade pode parecer um infarto?

Sim, os sintomas físicos podem ser intensos o suficiente para parecer um problema cardíaco, mas dor no peito sempre deve ser avaliada por um médico primeiro.

Quanto tempo dura uma crise de ansiedade?

Costuma atingir o pico de intensidade em poucos minutos e diminuir gradualmente depois, embora a sensação de esgotamento possa durar mais tempo.

O que fazer durante uma crise de ansiedade?

Nomear o que está acontecendo, diminuir o ritmo da respiração, manter contato com o ambiente ao redor e evitar fugir da situação sempre que possível.

Quando devo procurar um médico durante uma crise?

Sempre que houver dor no peito, falta de ar súbita, desmaio real ou qualquer sintoma diferente do seu padrão habitual.

Crise de ansiedade tem tratamento?

Sim. A Terapia Cognitivo-Comportamental é a abordagem com melhor evidência científica, podendo ser combinada com medicação quando indicado por um médico.

Como ajudar alguém que está tendo uma crise de ansiedade?

Mantenha a calma, evite invalidar o que a pessoa sente, ajude a regular a respiração e lembre-a de que a crise vai passar.

Cada leitura é um convite ao cuidado com a própria mente — o primeiro passo pode ser conversar.

Foto de Wenner Daniele, psicóloga clínica CRP 24/01431

Wenner Daniele

Psicóloga Clínica · CRP 24/01431

Falar com a psicóloga
  1. Kyriakoulis P, Kyrios M. Biological and cognitive theories explaining panic disorder: A narrative review. Frontiers in Psychiatry, 2023.
  2. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Generalised anxiety disorder and panic disorder in adults: management. NICE Guideline, 2019.
  3. Stewart RE, Chambless DL. Cognitive-Behavioral Therapy for Adult Anxiety Disorders in Clinical Practice: A Meta-Analysis of Effectiveness Studies. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 2009.
  4. Bandelow B, Michaelis S, Wedekind D. Treatment of anxiety disorders. Dialogues in Clinical Neuroscience, 2017.
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