Saúde Mental
Como encontrar um psicólogo(a) brasileiro no exterior
Por Wenner Daniele · CRP 24/01431
Às vezes, encontrar um psicólogo não é apenas procurar alguém que tenha disponibilidade. É encontrar um profissional com quem sua história possa ser compreendida sem que você precise traduzir tudo aquilo que sente.
Morar fora do Brasil pode transformar a maneira como uma pessoa se relaciona com a própria história. Algumas mudanças são visíveis, como o idioma, o trabalho, a rotina, os documentos, as relações sociais e a distância da família. Outras acontecem de maneira mais silenciosa e podem aparecer somente quando a pessoa começa a perceber que já não se sente exatamente a mesma.
É nesse contexto que algumas pessoas começam a procurar um psicólogo brasileiro no exterior. Não necessariamente porque acreditam que um profissional brasileiro seja melhor do que um psicólogo de outra nacionalidade. Mas porque desejam realizar psicoterapia em português ou porque sentem que determinados aspectos da própria história podem ser mais facilmente compartilhados com alguém familiarizado com referências culturais brasileiras.
Essa escolha merece ser compreendida com cuidado. Ter a mesma nacionalidade não significa conhecer automaticamente a história de uma pessoa, compreender sua experiência migratória ou possuir formação adequada para sua demanda. Da mesma forma, morar em outro país não significa que toda dificuldade psicológica esteja relacionada à imigração.
Encontrar um profissional adequado envolve olhar para diferentes aspectos ao mesmo tempo: formação, registro profissional, abordagem psicológica, experiência clínica, idioma, cultura, horário, segurança, sigilo e, principalmente, a possibilidade de construir uma relação terapêutica na qual você consiga falar sobre o que realmente está vivendo.
- 01O que você vai encontrar neste artigo
- 02Por que algumas pessoas procuram um psicólogo brasileiro?
- 03Onde encontrar um psicólogo brasileiro morando no exterior?
- 04É possível fazer psicoterapia online com um psicólogo brasileiro?
- 05O idioma pode fazer diferença na psicoterapia?
- 06Falar português garante uma psicoterapia melhor?
- 07E as referências culturais?
- 08Quando a imigração entra na psicoterapia?
- 09Como avaliar a experiência do psicólogo com brasileiros no exterior?
- 10Verifique o registro profissional
- 11Como avaliar a formação e a abordagem?
- 12O fuso horário pode parecer um detalhe, mas não é
- 13Como avaliar a primeira sessão?
- 14A relação terapêutica também importa no atendimento online
- 15💡 Dica da psicóloga
- 16Como proteger sua privacidade durante a psicoterapia online
- 17Segurança e sigilo precisam fazer parte da escolha
- 18Existe alguma regra para psicólogo brasileiro atender quem mora fora?
- 19Como escolher entre vários psicólogos brasileiros?
- 20Checklist para encontrar um psicólogo brasileiro no exterior
- 21Encontrar um psicólogo brasileiro não significa procurar alguém igual a você
- 22Para quem vive fora do Brasil
- 23Conclusão
- 24Perguntas frequentes
O que você vai encontrar neste artigo
Neste artigo, você vai entender onde procurar um psicólogo brasileiro, o que observar antes de iniciar um acompanhamento psicológico online, qual é o papel do idioma e das referências culturais e quando a experiência do profissional com brasileiros no exterior pode ser relevante.
Também vamos falar sobre imigração, registro profissional, formação, abordagem, fuso horário, primeira sessão, segurança e sigilo. A ideia não é dizer qual profissional você deve escolher, mas oferecer critérios para que sua busca seja mais consciente.
Por que algumas pessoas procuram um psicólogo brasileiro?
Quando alguém passa anos vivendo fora do Brasil, é possível desenvolver uma vida inteira em outro país e, ainda assim, continuar carregando referências construídas durante décadas no país de origem.
Isso pode aparecer na maneira de falar sobre família, relacionamentos, trabalho, maternidade, dinheiro, envelhecimento, cuidado com os pais e até na forma como determinadas experiências são nomeadas.
Para algumas pessoas, conversar com um psicólogo brasileiro facilita esse processo porque existe um repertório linguístico e cultural compartilhado. Uma expressão, uma lembrança ou uma maneira específica de descrever determinada situação pode ser compreendida sem que seja necessário explicar todo o contexto.
Mas é importante não transformar isso em uma regra.
Um psicólogo brasileiro não conhece automaticamente a experiência de todos os brasileiros. Duas pessoas que nasceram no mesmo país podem ter histórias familiares, condições socioeconômicas, trajetórias migratórias e valores completamente diferentes.
Por isso, o critério não deve ser simplesmente “é brasileiro”. A pergunta mais importante é: esse profissional possui características que fazem sentido para aquilo que eu preciso trabalhar?
Onde encontrar um psicólogo brasileiro morando no exterior?
Existem diferentes maneiras de procurar um profissional.
Você pode encontrar psicólogos por meio de sites profissionais, mecanismos de busca, indicações de pessoas conhecidas, redes profissionais, clínicas especializadas e plataformas de atendimento psicológico.
Para quem vive fora do Brasil, a busca online pode ser especialmente útil porque permite encontrar profissionais que oferecem psicoterapia online para brasileiros no exterior, mesmo quando não existe um psicólogo brasileiro disponível presencialmente na cidade onde a pessoa mora.
Mas encontrar um nome é apenas a primeira etapa.
Depois de localizar alguns profissionais, vale sair da lógica de simplesmente comparar perfis. Observe quem é o profissional, qual é sua formação, qual abordagem utiliza, quais demandas costuma atender e como apresenta seu trabalho.
Um perfil profissional pode despertar interesse, mas não deve substituir a verificação das informações necessárias antes do início do acompanhamento.
É possível fazer psicoterapia online com um psicólogo brasileiro?
A psicoterapia por videoconferência permite que o paciente e o psicólogo estejam fisicamente em locais diferentes durante a sessão. Essa característica tornou possível ampliar o acesso ao acompanhamento psicológico para pessoas que não encontram determinado profissional presencialmente em sua região.
Pesquisas científicas vêm investigando a psicoterapia por videoconferência em diferentes condições e modelos terapêuticos. Uma revisão sistemática e meta-análise sobre Terapia Cognitivo-Comportamental por videoconferência identificou 16 estudos, envolvendo 1.745 participantes, e encontrou evidências de efetividade dessa modalidade em adultos com diferentes transtornos psiquiátricos.
Isso não significa que o atendimento online seja adequado para absolutamente todas as situações. A modalidade precisa ser avaliada considerando a demanda, as condições clínicas, a privacidade, os recursos tecnológicos e as circunstâncias específicas do atendimento.
Para quem mora fora do Brasil, porém, a modalidade online pode representar uma possibilidade concreta de procurar um profissional que atenda em português e que tenha experiência com determinadas demandas, mesmo estando fisicamente distante.
O idioma pode fazer diferença na psicoterapia?
Falar outro idioma todos os dias não significa necessariamente sentir-se emocionalmente confortável para falar sobre tudo nessa língua.
É possível trabalhar, estudar, fazer amizades e resolver questões burocráticas em outro idioma e, ainda assim, perceber que determinadas memórias ou sentimentos aparecem com mais facilidade quando são expressos em português.
Isso acontece porque linguagem e experiência emocional estão profundamente relacionadas. As palavras utilizadas para contar uma história não servem apenas para transmitir informação. Elas também carregam referências, memórias, relações e significados construídos ao longo da vida.
Por isso, algumas pessoas preferem fazer terapia em português enquanto vivem no exterior.
Isso não significa que o português seja necessariamente melhor para todos. Algumas pessoas se sentem completamente confortáveis realizando psicoterapia no idioma do país onde vivem. Outras preferem alternar entre idiomas dependendo do assunto.
A escolha precisa partir da experiência individual.
Falar português garante uma psicoterapia melhor?
Não.
Essa é uma distinção importante.
Falar a mesma língua pode facilitar a comunicação, mas não substitui formação profissional, experiência clínica, conhecimento técnico e uma relação terapêutica adequada.
Um psicólogo brasileiro pode falar português perfeitamente e ainda assim não ser o profissional mais adequado para determinada demanda. Da mesma forma, um psicólogo de outra nacionalidade pode possuir excelente formação e experiência para trabalhar com aquilo que a pessoa está vivendo.
A língua é um dos critérios possíveis.
Ela pode facilitar a expressão e reduzir algumas barreiras de comunicação, mas não determina sozinha a qualidade da psicoterapia.
E as referências culturais?
Cultura pode aparecer na psicoterapia mesmo quando a pessoa não está procurando tratamento especificamente para uma questão cultural.
Imagine alguém que cresceu no Brasil em uma família na qual cuidar dos pais era entendido como uma obrigação. Depois de muitos anos vivendo em outro país, essa pessoa começa a sentir culpa por não conseguir estar fisicamente presente quando os pais precisam dela.
O problema não está simplesmente na distância geográfica.
Existe uma combinação entre valores familiares, expectativas, culpa, responsabilidades e uma realidade concreta que mudou.
Outro exemplo poderia envolver uma pessoa que se sente pressionada a demonstrar que está feliz porque “teve coragem de sair do Brasil”. Ela pode ter conquistado exatamente aquilo que buscava e, ao mesmo tempo, sentir solidão, arrependimento ou dificuldade de pertencimento.
Essas contradições podem fazer parte da experiência migratória.
Pesquisas sobre adaptações culturais em intervenções psicológicas indicam que considerar aspectos culturais relevantes pode ser importante para determinados grupos. Uma revisão sistemática de Arundell e colaboradores, por exemplo, encontrou benefícios associados a intervenções adaptadas culturalmente quando comparadas a tratamentos ativos não adaptados, embora os autores também ressaltem que diferentes tipos de adaptação podem atuar de maneiras distintas.
Isso não significa que uma psicoterapia precise transformar cultura no centro de todas as sessões. Significa que a cultura pode ser uma dimensão importante quando ela fizer parte da história daquela pessoa.
Quando a imigração entra na psicoterapia?
Nem todo brasileiro que vive fora do país está enfrentando uma crise relacionada à imigração.
Essa distinção é importante porque morar no exterior não deve ser tratado como diagnóstico.
Uma pessoa pode procurar psicoterapia porque está passando por dificuldades no relacionamento. Outra pode estar enfrentando ansiedade. Outra pode estar lidando com luto. Outra pode estar vivendo um período de esgotamento profissional.
A experiência migratória pode estar completamente fora do centro dessas questões.
Mas também pode estar profundamente envolvida.
A mudança de país pode modificar relações familiares, rede de apoio, identidade profissional, independência financeira e sensação de pertencimento. Algumas pessoas ainda enfrentam barreiras linguísticas ou culturais que tornam determinados momentos da vida mais complexos.
Por isso, quando a experiência migratória é relevante para a demanda, pode ser útil encontrar um profissional que consiga compreender esse contexto sem presumir que todos os brasileiros no exterior vivem a mesma experiência.
Como avaliar a experiência do psicólogo com brasileiros no exterior?
Você não precisa procurar alguém que tenha vivido exatamente aquilo que você viveu.
O mais importante é verificar se o profissional possui experiência clínica relacionada à sua demanda e se demonstra capacidade de compreender o contexto apresentado.
Você pode observar quais públicos o psicólogo atende, quais temas aparecem em sua atuação e se existe familiaridade com questões relacionadas à vida no exterior, quando isso for importante para você.
Também pode perguntar diretamente durante o contato inicial.
Por exemplo: “Você costuma atender brasileiros que vivem fora do país?” ou “Você tem experiência com questões relacionadas à adaptação cultural e imigração?”
A resposta não precisa ser “sim” para que o profissional seja adequado. Ela serve para você compreender melhor se a experiência dele conversa com aquilo que está procurando.
Verifique o registro profissional
Antes de iniciar qualquer acompanhamento, é importante verificar a situação profissional do psicólogo.
O registro profissional é uma informação objetiva e deve fazer parte da sua busca. Não é suficiente confiar apenas no perfil de uma rede social, no número de seguidores ou na apresentação de um site.
Você pode consultar também o conteúdo sobre como verificar o registro no CRPpara entender melhor esse processo.
Depois dessa verificação, ainda existem outras perguntas importantes: qual é a formação do profissional? Qual abordagem utiliza? Que tipo de demanda atende? Como funciona o atendimento?
O registro é um ponto fundamental de segurança profissional, mas não responde sozinho à pergunta sobre compatibilidade terapêutica.
Como avaliar a formação e a abordagem?
Ao analisar o perfil de um profissional, não é necessário transformar a formação em uma competição de certificados. O mais útil é compreender se aquilo que ele estudou e a maneira como trabalha têm relação com a demanda que você pretende levar para a terapia.
Ao procurar um psicólogo brasileiro, tente compreender quais são suas principais áreas de atuação e qual abordagem psicológica orienta seu trabalho.
Você também pode observar se o profissional explica sua forma de trabalho de maneira clara.
Isso é especialmente importante porque a pessoa que procura psicoterapia não precisa dominar termos técnicos para entender como será o processo. Um bom contato inicial deve permitir que você faça perguntas e compreenda, de maneira acessível, aquilo que está sendo proposto.
Se você quiser aprofundar essa avaliação, também pode consultar o conteúdo sobre como saber se um psicólogo é confiável
O fuso horário pode parecer um detalhe, mas não é
Quando o psicólogo está no Brasil e o paciente está em outro país, existe uma questão prática que precisa ser considerada: o horário.
Dependendo do país, da região e da época do ano, a diferença entre os horários pode mudar.
Um horário confortável para quem está no Brasil pode coincidir com o expediente de trabalho, o horário escolar dos filhos ou até mesmo com a madrugada para quem está em outro país.
Por isso, encontrar um profissional também significa encontrar uma rotina de atendimento que possa ser mantida.
Não adianta estabelecer um horário que parece possível na primeira semana, mas que se torna inviável depois.
Antes de iniciar, vale verificar a diferença de fuso e conversar sobre horários que realmente sejam sustentáveis para você.
Como avaliar a primeira sessão?
O primeiro encontro também serve para você conhecer o funcionamento do atendimento. Pergunte o que quiser saber, explique por que procurou ajuda e observe se o profissional consegue apresentar sua forma de trabalho de maneira compreensível.
Ela pode ser entendida como um primeiro contato no qual você começa a conhecer o profissional e compreender como será o processo.
Observe se consegue explicar o motivo que levou você a procurar psicoterapia. Observe também se o psicólogo faz perguntas que ajudam a compreender sua história e se consegue explicar como pretende conduzir o acompanhamento.
Você pode perguntar sobre frequência das sessões, duração, valores, comunicação entre os encontros e outros aspectos práticos.
Também pode perceber algo mais subjetivo: como é conversar com essa pessoa?
Não significa que você precisa sentir conforto absoluto imediatamente. Falar sobre assuntos pessoais pode provocar desconforto. O ponto é perceber se existe espaço para construir uma relação profissional na qual você consiga, progressivamente, falar sobre aquilo que importa.
A relação terapêutica também importa no atendimento online
Uma preocupação comum de quem procura psicoterapia online é imaginar que a distância física pode impedir a criação de um vínculo terapêutico.
A literatura científica não sustenta essa conclusão de forma simples.
Uma revisão sistemática e meta-análise publicada por Seuling e colaboradores comparou a aliança terapêutica em psicoterapia por videoconferência e presencial. Foram analisadas 18 publicações, e os autores não encontraram diferença estatisticamente significativa entre as modalidades nas avaliações feitas por pacientes ou terapeutas.
Outra meta-análise mais recente examinou a associação entre aliança terapêutica e resultados na teleterapia, reunindo 31 estudos e 4.862 participantes. Os resultados encontraram uma associação pequena, mas estatisticamente significativa, entre a qualidade da aliança e os resultados em saúde mental.
Isso ajuda a compreender uma questão importante: a tela não determina sozinha a qualidade da relação terapêutica.
A forma como o profissional conduz o atendimento, a participação do paciente, a comunicação e as condições em que as sessões acontecem também fazem parte dessa experiência.
💡 Dica da psicóloga
Na minha prática clínica, percebo que muitas pessoas chegam à primeira sessão acreditando que precisam saber exatamente o que dizer.
Não precisam.
A primeira conversa também serve para organizar aquilo que está acontecendo. Às vezes, a pessoa chega dizendo apenas que está cansada, ansiosa ou que “não sabe mais o que fazer”. Conforme a história é explorada, começam a aparecer situações, pensamentos, emoções e padrões que ajudam a compreender melhor a demanda.
Por isso, eu não recomendaria escolher um psicólogo somente porque o perfil parece perfeito. Procure informações objetivas, mas também permita-se perceber como é estar naquele espaço terapêutico.
A relação não precisa ser baseada em identificação total. Ela precisa oferecer condições para que exista um trabalho psicológico sério, respeitoso e colaborativo.
Como proteger sua privacidade durante a psicoterapia online
Quando a sessão acontece pela internet, a privacidade passa a envolver tanto a atuação profissional quanto as condições em que a consulta é realizada. Antes de iniciar o acompanhamento, vale entender como o psicólogo organiza as sessões e quais cuidados são adotados para preservar as informações compartilhadas.
Do lado do paciente, o ambiente também merece atenção. Uma sessão pode abordar experiências íntimas, conflitos familiares, relacionamentos, trabalho e acontecimentos que não devem ser ouvidos por outras pessoas. Por isso, sempre que possível, escolha um local em que consiga conversar sem interrupções e sem receio de alguém escutar.
Também é importante conhecer os recursos utilizados para a comunicação e esclarecer dúvidas sobre o funcionamento do atendimento. Essas informações ajudam a estabelecer expectativas mais claras antes do início da psicoterapia.
O sigilo profissional faz parte das responsabilidades éticas da Psicologia. Por isso, compreender como a privacidade é tratada não é uma preocupação excessiva, mas uma etapa natural de quem está escolhendo realizar psicoterapia online.
Segurança e sigilo precisam fazer parte da escolha
Quando você procura um psicólogo online, está compartilhando informações pessoais por meio de uma modalidade que envolve tecnologia.
Por isso, segurança e sigilo não devem aparecer apenas depois que o acompanhamento começou.
Procure compreender como o profissional realiza as sessões, quais recursos utiliza e quais orientações oferece para preservar a privacidade durante o atendimento.
Também existe uma responsabilidade do próprio paciente. Sempre que possível, procure realizar a sessão em um ambiente reservado, utilizando uma conexão adequada e evitando situações nas quais outras pessoas possam ouvir a conversa.
O sigilo profissional é parte fundamental do exercício da Psicologia. Por isso, antes de iniciar, também vale conhecer melhor o que significa sigilo profissional na psicoterapia.
Existe alguma regra para psicólogo brasileiro atender quem mora fora?
Essa é uma questão que merece atenção porque envolve atendimento profissional em contexto internacional.
Não é adequado assumir que um psicólogo pode atender qualquer pessoa, em qualquer país, apenas porque possui registro profissional no Brasil.
Além das regras brasileiras relacionadas ao exercício profissional, podem existir normas no país onde o paciente está localizado ou outras exigências relacionadas à prestação de serviços profissionais entre diferentes jurisdições.
Por isso, quando você procura um psicólogo brasileiro enquanto vive fora do país, é importante que o profissional esteja atento às regras aplicáveis ao seu contexto de atuação.
Essa é uma das razões pelas quais a escolha não deve se basear apenas em uma frase como “atendo brasileiros em qualquer lugar do mundo”.
Como escolher entre vários psicólogos brasileiros?
Quando aparecem muitos profissionais disponíveis, a quantidade de opções pode gerar outra dificuldade.
Em vez de tentar encontrar o psicólogo “perfeito”, você pode criar alguns critérios objetivos.
Primeiro, verifique o registro profissional. Depois, observe formação, abordagem e experiência. Em seguida, considere idioma, horário, fuso, valor e formato das sessões.
Depois disso, existe uma etapa que não pode ser completamente resolvida por uma pesquisa na internet: conhecer o profissional.
A primeira sessão pode ajudar você a perceber se existe comunicação, se suas questões são compreendidas e se você consegue imaginar construindo aquele processo.
A escolha não precisa ser baseada em uma única característica.
Checklist para encontrar um psicólogo brasileiro no exterior
Antes de iniciar seu acompanhamento, você pode verificar:
☐ O profissional possui registro profissional?
☐ Conheço sua formação?
☐ Entendo qual abordagem psicológica utiliza?
☐ Ele atende demandas semelhantes à minha?
☐ Possui experiência com brasileiros no exterior, quando isso é relevante para minha demanda?
☐ Posso realizar as sessões no idioma em que me sinto mais confortável?
☐ O horário é compatível com meu fuso?
☐ Entendi como funciona o atendimento online?
☐ Sei como são preservados sigilo e segurança?
☐ O valor é compatível com minha realidade financeira?
☐ Consigo conversar com esse profissional sobre aquilo que realmente preciso trabalhar?
☐ Existe possibilidade de construir uma relação terapêutica adequada?
Encontrar um psicólogo brasileiro não significa procurar alguém igual a você
Existe uma diferença importante entre procurar alguém que compartilhe determinadas referências culturais e procurar alguém que seja exatamente como você.
A psicoterapia não depende de o psicólogo ter vivido a mesma história.
Um profissional não precisa ter morado no mesmo país, enfrentado a mesma imigração ou passado pelas mesmas situações para compreender uma experiência clínica. O que importa é sua capacidade profissional de ouvir, investigar, contextualizar e trabalhar aquilo que aparece no processo terapêutico.
Ao mesmo tempo, experiências culturais não devem ser ignoradas quando são relevantes para a pessoa.
A literatura sobre intervenções culturalmente adaptadas mostra justamente que considerar aspectos culturais pode ser importante em determinados contextos, embora a evidência não permita transformar isso em uma regra de que toda pessoa precisa de um terapeuta da mesma cultura.
Essa distinção é importante porque evita dois extremos: acreditar que cultura não importa ou acreditar que somente alguém da mesma cultura pode compreender você.
Para quem vive fora do Brasil
Talvez você tenha procurado “psicólogo brasileiro no exterior” porque deseja simplesmente falar português.
Talvez esteja vivendo uma fase difícil e tenha percebido que gostaria de conversar com alguém que compreenda determinadas referências da sua história.
Talvez esteja há muitos anos fora do Brasil e tenha começado a perceber que a experiência de morar longe mudou algumas coisas dentro de você.
Ou talvez o Brasil nem seja o assunto principal da terapia.
Tudo isso é possível.
O fato de você morar fora não define aquilo que precisa ser trabalhado. A experiência migratória é uma dimensão da sua história, não uma explicação automática para tudo o que acontece com você.
Por isso, a busca por um profissional deve começar pela sua necessidade real.
Conclusão
Encontrar um psicólogo brasileiro morando no exterior pode ser uma alternativa importante para pessoas que desejam realizar psicoterapia em português ou que consideram relevantes determinadas referências culturais em seu processo.
Mas a nacionalidade, sozinha, não determina a qualidade ou a adequação de um profissional.
Uma escolha cuidadosa envolve verificar o registro, conhecer a formação, compreender a abordagem, observar a experiência clínica, avaliar o idioma, considerar o contexto migratório quando ele for relevante, verificar horários e fuso e compreender as condições de segurança e sigilo.
Também envolve algo que não pode ser completamente pesquisado antes da primeira conversa: a possibilidade de construir uma relação terapêutica.
Se você está procurando psicólogo brasileiro para brasileiros no exterior, use essas informações para organizar sua busca e conhecer melhor os profissionais disponíveis.
E, antes de começar, permita-se fazer perguntas. Você não precisa escolher com pressa. Uma decisão cuidadosa começa quando você entende o que está procurando.
Perguntas frequentes
1. É possível fazer terapia online com um psicólogo brasileiro enquanto moro em outro país?
2. Como encontrar um psicólogo brasileiro no exterior?
3. É melhor fazer terapia com um psicólogo brasileiro quando moro fora do Brasil?
4. Fazer terapia em português ajuda quem mora no exterior?
5. O psicólogo brasileiro precisa ter experiência com imigração?
6. Como saber se o psicólogo brasileiro é confiável?
7. O que devo perguntar na primeira sessão?
8. O fuso horário interfere na psicoterapia online?
O atendimento online pode permitir uma relação terapêutica consistente?
Uma das dúvidas de quem procura um psicólogo pela internet é se uma conversa mediada por uma tela consegue proporcionar condições suficientes para um processo terapêutico.
10. Posso trocar de psicólogo se perceber que não me adaptei?
Cada leitura é um convite ao cuidado com a própria mente — o primeiro passo pode ser conversar.
Leia também:
- LLIS, D. M.; DRAHEIM, A. A.; ANDERSON, P. L. Culturally adapted digital mental health interventions for ethnic/racial minorities: a systematic review and meta-analysis. Journal of Consulting and Clinical Psychology, v. 90, n. 10, p. 717-733, 2022. DOI: 10.1037/ccp0000759.
- HALL, G. C. N. et al. A meta-analysis of cultural adaptations of psychological interventions. Behavior Therapy, v. 47, n. 6, p. 993-1014, 2016. DOI: 10.1016/j.beth.2016.09.005.
- SEULING, P. D. et al. Therapeutic alliance in videoconferencing psychotherapy compared to psychotherapy in person: a systematic review and meta-analysis. Journal of Telemedicine and Telecare, v. 30, n. 10, p. 1521-1531, 2024. DOI: 10.1177/1357633X231161774.
