SEGURANÇA, SIGILO E PRIVACIDADE

Guia: Segurança, Sigilo e Privacidade

As sessões são gravadas?

Sessões de psicoterapia não são gravadas por padrão. Entenda o que o Código de Ética do Psicólogo determina, quando gravações podem ocorrer, como funciona o consentimento e quais são os seus direitos como paciente.

Wenner Daniele

Wenner Daniele

Psicóloga Clínica | CRP 05/39806

Mestranda em Neurociências

Atualizado em 12/07/2026

Tempo de leitura: 12 min

Este conteúdo faz parte do Guia

Segurança, Sigilo e Privacidade

  1. Sessões gravadas?
  2. Proteção de dados
  3. LGPD e privacidade
  4. Sigilo profissional
  5. Ambiente 100% seguro

Resposta rápida

Não. Sessões de psicoterapia — presenciais ou online — não são gravadas por padrão. O Código de Ética Profissional do Psicólogo (CFP) impõe sigilo rigoroso, e qualquer gravação exige finalidade clínica clara, consentimento livre e por escrito e pode ser revogada a qualquer momento. Na WYNEED, nenhuma sessão é gravada.

1. As sessões de psicoterapia são gravadas?

Não. Por padrão, as sessões de psicoterapia — presenciais ou online — não são gravadas. O que se conversa em sessão faz parte de uma relação profissional protegida pelo sigilo, princípio central do Código de Ética Profissional do Psicólogo (CFP).

Na WYNEED, nenhuma sessão é gravada em áudio ou vídeo. As anotações clínicas ficam restritas ao prontuário, com acesso exclusivo da psicóloga responsável, e são armazenadas conforme a Resolução CFP nº 001/2009 e a LGPD.

2. Quando uma gravação pode acontecer?

Existem situações específicas e excepcionais em que uma gravação pode ser considerada — sempre com consentimento livre, informado e por escrito do paciente e com finalidade clínica clara:

  • Supervisão clínica em contexto de formação (com anonimização).
  • Pesquisa científica autorizada por Comitê de Ética em Pesquisa (CEP/CONEP).
  • Situações forenses específicas, mediante ordem judicial fundamentada.
  • Uso terapêutico de trechos (ex.: revisão em técnicas específicas), a pedido do próprio paciente.

Fora dessas hipóteses, gravar sessões pode configurar infração ética.

3. É necessária autorização do paciente?

Sim, sempre. Qualquer registro em áudio, vídeo ou imagem exige Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), com informação clara sobre finalidade, forma de armazenamento, tempo de guarda, quem terá acesso e como o material será descartado.

O paciente pode revogar o consentimento a qualquer momento, sem prejuízo ao atendimento. Uma gravação feita sem autorização é ilícita — viola o Código de Ética do Psicólogo, o Código Civil (direitos da personalidade) e a LGPD.

4. Como funciona o consentimento?

O consentimento válido, previsto na LGPD (art. 8º) e no Código de Ética, deve ser:

  • Livre: sem coação ou pressão.
  • Informado: com todas as consequências explicadas.
  • Inequívoco: manifestação clara, geralmente por escrito.
  • Específico: vinculado a uma finalidade concreta.
  • Revogável: pode ser retirado a qualquer tempo.

O simples "clique em concordo" genérico não é suficiente para dados sensíveis como os de saúde mental. O consentimento precisa ser destacado e específico.

5. O Código de Ética permite gravações?

O Código de Ética Profissional do Psicólogo (CFP, 2005) reforça o dever de sigilo (arts. 9º a 15). A Resolução CFP nº 11/2018, que regulamenta o atendimento online, também determina que a psicóloga deve garantir a segurança das informações e utilizar plataformas adequadas.

Gravações só são admitidas com finalidade clínica ou científica documentada e consentimento formal. Fora disso, são condutas eticamente vedadas e podem levar a processos ético-disciplinares no Conselho Regional.

6. Quais são os direitos do paciente?

Como paciente, você tem direito a:

  • Ser informado antes de qualquer registro em áudio, vídeo ou imagem.
  • Negar-se a autorizar gravações, sem qualquer prejuízo ao atendimento.
  • Solicitar cópia do TCLE assinado.
  • Revogar o consentimento a qualquer momento.
  • Pedir a exclusão de material previamente gravado (respeitados prazos legais).
  • Ser informado sobre onde os dados são armazenados e por quanto tempo.
  • Denunciar condutas irregulares ao Conselho Regional de Psicologia.

7. Como a WYNEED protege a confidencialidade?

Na WYNEED, a proteção do sigilo se traduz em práticas concretas:

  • Nenhuma sessão gravada por padrão.
  • Videochamadas em plataformas com criptografia ponta a ponta.
  • Ambiente da psicóloga isolado, sem terceiros presentes.
  • Prontuário eletrônico com acesso restrito e senha forte.
  • Backup criptografado e armazenamento em serviços em conformidade com a LGPD.
  • Termos de consentimento claros para cada finalidade.
  • Compromisso ético reforçado a cada início de acompanhamento.

A Primeira Sessão de Acolhimento Gratuita possui o mesmo padrão de sigilo das demais.

Aprofundamento

Entenda em profundidade

Anotações clínicas x gravação: qual a diferença?

As anotações clínicas (prontuário) são um dever profissional: registram evoluções, hipóteses e intervenções. São documentais, escritas, guardadas por prazo mínimo (5 anos após o último atendimento, com possibilidade de descarte após comunicação ao CFP).

Uma gravação é o registro em áudio ou vídeo da própria sessão. Não faz parte do prontuário obrigatório e só se justifica em contextos excepcionais, com consentimento formal.

E se surgir uma ordem judicial?

O sigilo profissional é protegido por lei (Código Penal, art. 154; Código de Processo Civil, art. 388, IV) e pelo Código de Ética. Em regra, a psicóloga não é obrigada a fornecer conteúdo de sessões, mesmo diante de intimação — pode responder por declaração, atestado ou relatório ponderado e restrito ao mínimo necessário.

Em situações de risco grave (proteção de vida, ECA), o Código prevê ruptura do sigilo com critério ético e comunicação ao paciente sempre que possível.

Dica da Psicóloga

Pergunte sempre, no início do processo

Se você tem dúvida sobre gravações, anotações ou como seus dados serão tratados, pergunte na primeira sessão. Uma psicóloga ética responde com clareza, mostra o TCLE e explica como o sigilo é protegido. Você pode — e deve — se sentir seguro para perguntar.

O que dizem as pesquisas

Referências e normativas

  • Código de Ética Profissional do Psicólogo (CFP, 2005), arts. 9º a 15.
  • Resolução CFP nº 11/2018 — regulamenta o atendimento psicológico online.
  • Resolução CFP nº 001/2009 — dispõe sobre o registro documental (prontuário).
  • Lei nº 13.709/2018 (LGPD), art. 11 — dados sensíveis (saúde).
  • APA Ethics Code, seção 4 (Privacy and Confidentiality).

Mito ou Verdade

Desfazendo confusões comuns

  • "Toda sessão online é gravada."

    Mito. As plataformas transmitem em tempo real e não gravam automaticamente. Gravação exige ação deliberada e consentimento.

  • "A psicóloga pode gravar para 'documentar' o caso."

    Mito. Documentação clínica é feita em prontuário escrito, não em gravação de áudio ou vídeo.

  • "Se eu autorizar uma vez, vale para sempre."

    Mito. O consentimento é específico e pode ser revogado a qualquer momento.

  • "Gravação é sempre proibida."

    Mito. É excepcional, com finalidade clínica ou científica clara e consentimento formal.

Erros comuns

O que evitar

  • Assumir que a sessão está sendo gravada sem perguntar.
  • Gravar por conta própria sem combinar com a psicóloga.
  • Assinar TCLE sem ler as finalidades do registro.
  • Compartilhar prints ou trechos de conversas com terceiros.
  • Confundir anotações clínicas com gravação.

Perguntas frequentes

Ver todas as perguntas
A psicóloga pode gravar sem eu saber?

Não. Qualquer registro sem consentimento livre, informado e por escrito é vedado pelo Código de Ética do Psicólogo e viola a LGPD e o Código Civil.

Posso gravar a sessão por conta própria?

Tecnicamente é possível, mas eticamente delicado. O ideal é conversar com a psicóloga: gravações unilaterais podem prejudicar a espontaneidade do processo terapêutico.

E se eu quiser rever algum trecho da sessão?

Converse com a sua psicóloga. Em algumas técnicas (como registros para reestruturação cognitiva), o próprio paciente pode fazer anotações ou gravar um resumo, com combinado prévio.

Sessões online são mais arriscadas em relação a gravações?

Não, desde que sejam realizadas em plataformas com criptografia e conforme a Resolução CFP nº 11/2018. A segurança depende também dos cuidados do paciente e da psicóloga com o ambiente e a conexão.

Meus dados podem ser usados em pesquisa sem eu autorizar?

Não. Pesquisas científicas exigem aprovação por Comitê de Ética em Pesquisa (CEP/CONEP) e consentimento específico e destacado do participante.

O que fazer se eu descobrir uma gravação irregular?

Você pode registrar denúncia no Conselho Regional de Psicologia (CRP) da sua região. O processo ético é sigiloso e a psicóloga responde disciplinarmente.

A psicóloga pode compartilhar áudios comigo por WhatsApp?

É desaconselhado enviar conteúdos sensíveis por mensageiros comuns. Comunicações fora da sessão são breves, operacionais (ex.: agendamento) e evitam informações clínicas.

As anotações da psicóloga são consideradas gravação?

Não. Anotações fazem parte do prontuário clínico e são um dever profissional, com regras próprias de guarda (Resolução CFP nº 001/2009).

E em atendimento com adolescentes?

O consentimento envolve o adolescente e os responsáveis legais, com atenção especial à confidencialidade do que é dito em sessão, seguindo o ECA e o Código de Ética.

A justiça pode obrigar a gravar uma sessão?

Em situações excepcionais, o juiz pode requisitar informações. Ainda assim, a psicóloga pondera o sigilo profissional, protegido por lei, e responde por meio de relatório ou declaração.

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