1. As sessões de psicoterapia são gravadas?
Não. Por padrão, as sessões de psicoterapia — presenciais ou online — não são gravadas. O que se conversa em sessão faz parte de uma relação profissional protegida pelo sigilo, princípio central do Código de Ética Profissional do Psicólogo (CFP).
Na WYNEED, nenhuma sessão é gravada em áudio ou vídeo. As anotações clínicas ficam restritas ao prontuário, com acesso exclusivo da psicóloga responsável, e são armazenadas conforme a Resolução CFP nº 001/2009 e a LGPD.
2. Quando uma gravação pode acontecer?
Existem situações específicas e excepcionais em que uma gravação pode ser considerada — sempre com consentimento livre, informado e por escrito do paciente e com finalidade clínica clara:
- Supervisão clínica em contexto de formação (com anonimização).
- Pesquisa científica autorizada por Comitê de Ética em Pesquisa (CEP/CONEP).
- Situações forenses específicas, mediante ordem judicial fundamentada.
- Uso terapêutico de trechos (ex.: revisão em técnicas específicas), a pedido do próprio paciente.
Fora dessas hipóteses, gravar sessões pode configurar infração ética.
3. É necessária autorização do paciente?
Sim, sempre. Qualquer registro em áudio, vídeo ou imagem exige Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), com informação clara sobre finalidade, forma de armazenamento, tempo de guarda, quem terá acesso e como o material será descartado.
O paciente pode revogar o consentimento a qualquer momento, sem prejuízo ao atendimento. Uma gravação feita sem autorização é ilícita — viola o Código de Ética do Psicólogo, o Código Civil (direitos da personalidade) e a LGPD.
4. Como funciona o consentimento?
O consentimento válido, previsto na LGPD (art. 8º) e no Código de Ética, deve ser:
- Livre: sem coação ou pressão.
- Informado: com todas as consequências explicadas.
- Inequívoco: manifestação clara, geralmente por escrito.
- Específico: vinculado a uma finalidade concreta.
- Revogável: pode ser retirado a qualquer tempo.
O simples "clique em concordo" genérico não é suficiente para dados sensíveis como os de saúde mental. O consentimento precisa ser destacado e específico.
5. O Código de Ética permite gravações?
O Código de Ética Profissional do Psicólogo (CFP, 2005) reforça o dever de sigilo (arts. 9º a 15). A Resolução CFP nº 11/2018, que regulamenta o atendimento online, também determina que a psicóloga deve garantir a segurança das informações e utilizar plataformas adequadas.
Gravações só são admitidas com finalidade clínica ou científica documentada e consentimento formal. Fora disso, são condutas eticamente vedadas e podem levar a processos ético-disciplinares no Conselho Regional.
6. Quais são os direitos do paciente?
Como paciente, você tem direito a:
- Ser informado antes de qualquer registro em áudio, vídeo ou imagem.
- Negar-se a autorizar gravações, sem qualquer prejuízo ao atendimento.
- Solicitar cópia do TCLE assinado.
- Revogar o consentimento a qualquer momento.
- Pedir a exclusão de material previamente gravado (respeitados prazos legais).
- Ser informado sobre onde os dados são armazenados e por quanto tempo.
- Denunciar condutas irregulares ao Conselho Regional de Psicologia.
7. Como a WYNEED protege a confidencialidade?
Na WYNEED, a proteção do sigilo se traduz em práticas concretas:
- Nenhuma sessão gravada por padrão.
- Videochamadas em plataformas com criptografia ponta a ponta.
- Ambiente da psicóloga isolado, sem terceiros presentes.
- Prontuário eletrônico com acesso restrito e senha forte.
- Backup criptografado e armazenamento em serviços em conformidade com a LGPD.
- Termos de consentimento claros para cada finalidade.
- Compromisso ético reforçado a cada início de acompanhamento.
A Primeira Sessão de Acolhimento Gratuita possui o mesmo padrão de sigilo das demais.
Aprofundamento
Entenda em profundidade
Anotações clínicas x gravação: qual a diferença?
As anotações clínicas (prontuário) são um dever profissional: registram evoluções, hipóteses e intervenções. São documentais, escritas, guardadas por prazo mínimo (5 anos após o último atendimento, com possibilidade de descarte após comunicação ao CFP).
Uma gravação é o registro em áudio ou vídeo da própria sessão. Não faz parte do prontuário obrigatório e só se justifica em contextos excepcionais, com consentimento formal.
E se surgir uma ordem judicial?
O sigilo profissional é protegido por lei (Código Penal, art. 154; Código de Processo Civil, art. 388, IV) e pelo Código de Ética. Em regra, a psicóloga não é obrigada a fornecer conteúdo de sessões, mesmo diante de intimação — pode responder por declaração, atestado ou relatório ponderado e restrito ao mínimo necessário.
Em situações de risco grave (proteção de vida, ECA), o Código prevê ruptura do sigilo com critério ético e comunicação ao paciente sempre que possível.
Dica da Psicóloga
Pergunte sempre, no início do processo
Se você tem dúvida sobre gravações, anotações ou como seus dados serão tratados, pergunte na primeira sessão. Uma psicóloga ética responde com clareza, mostra o TCLE e explica como o sigilo é protegido. Você pode — e deve — se sentir seguro para perguntar.
O que dizem as pesquisas
Referências e normativas
- Código de Ética Profissional do Psicólogo (CFP, 2005), arts. 9º a 15.
- Resolução CFP nº 11/2018 — regulamenta o atendimento psicológico online.
- Resolução CFP nº 001/2009 — dispõe sobre o registro documental (prontuário).
- Lei nº 13.709/2018 (LGPD), art. 11 — dados sensíveis (saúde).
- APA Ethics Code, seção 4 (Privacy and Confidentiality).
Mito ou Verdade
Desfazendo confusões comuns
"Toda sessão online é gravada."
Mito. As plataformas transmitem em tempo real e não gravam automaticamente. Gravação exige ação deliberada e consentimento.
"A psicóloga pode gravar para 'documentar' o caso."
Mito. Documentação clínica é feita em prontuário escrito, não em gravação de áudio ou vídeo.
"Se eu autorizar uma vez, vale para sempre."
Mito. O consentimento é específico e pode ser revogado a qualquer momento.
"Gravação é sempre proibida."
Mito. É excepcional, com finalidade clínica ou científica clara e consentimento formal.
Erros comuns
O que evitar
- Assumir que a sessão está sendo gravada sem perguntar.
- Gravar por conta própria sem combinar com a psicóloga.
- Assinar TCLE sem ler as finalidades do registro.
- Compartilhar prints ou trechos de conversas com terceiros.
- Confundir anotações clínicas com gravação.

