18 países100% onlineCRP 24/01431Contato

Saúde Mental

Por que preciso ter alguém comigo para conseguir sair?

Foto de Wenner Daniele, psicóloga clínica CRP 24/01431Por Wenner Daniele · CRP 24/01431
Atualizado em 09 de setembro de 2026 18 min de leitura
blog
blog

Talvez o problema nunca tenha sido sair sozinho, mas o que você teme sentir quando ninguém está por perto.

Às vezes, o que parece ser apenas vontade de ter companhia pode ser, na verdade, o medo de descobrir que você terá que lidar sozinho com aquilo que sente.

Você pensa em sair de casa, ir ao mercado, dirigir, pegar um transporte, entrar em um restaurante, resolver alguma coisa no centro da cidade ou simplesmente caminhar. Mas, antes mesmo de sair, surge uma pergunta:

Fonte: NICE — Guideline de ansiedade generalizada e pânico (CG113).

Leia também: Primeiros Socorros Emocionais: Como Ajudar Alguém em Crise de Ansiedade, O Que Fazer e O Que NÃO Dizer.

"Quem vai comigo?"

Quando existe alguém disponível, a situação parece mais suportável. A ansiedade diminui. Você sente que consegue.

Fonte: PubMed — Base de evidências biomédicas.

Leia também: Por que evito lugares depois de passar mal?.

Mas, quando essa pessoa não pode ir, algo muda.

O coração acelera. A preocupação aumenta. Você começa a imaginar tudo o que poderia acontecer. Talvez pense que pode passar mal, ter uma crise, ficar sem saber o que fazer, precisar de ajuda ou não conseguir voltar para casa.

Fonte: Ministério da Saúde — Saúde mental.

Leia também: Terapia online funciona para ansiedade? O que a ciência mostra..

Então aparece uma conclusão aparentemente lógica: "sozinho eu não consigo."

Só que existe uma diferença importante entre gostar de ter companhia e precisar de uma pessoa específica para conseguir enfrentar situações que, sozinho, você sente que não conseguiria tolerar.Essa diferença pode ajudar a compreender por que algumas pessoas começam a restringir a própria vida sem perceber.

01

Quando a companhia deixa de ser apenas companhia

Ter alguém por perto pode ser algo saudável e prazeroso. Nós somos seres sociais, construímos vínculos e naturalmente buscamos apoio em outras pessoas.

O problema não está em sair acompanhado.

A questão começa quando a presença de outra pessoa passa a funcionar como uma espécie de condição para que você se sinta seguro.

Você pode começar a pensar: "eu consigo ir se ela estiver comigo", "se ele for, eu não vou ter problema", "se essa pessoa estiver por perto, posso sair", "se ela não puder, é melhor eu não ir."

Nesse momento, a companhia pode deixar de funcionar apenas como uma experiência agradável e começar a funcionar como uma garantia de segurança.

Na psicologia, esse tipo de estratégia pode ser compreendido dentro do conceito de comportamentos de segurança. São comportamentos ou estratégias mentais utilizados para prevenir, reduzir ou controlar uma ameaça percebida ou as consequências temidas de determinada situação.

A pessoa pode, por exemplo, carregar medicamentos "por garantia", sentar sempre perto de uma saída, verificar constantemente onde está o hospital mais próximo, telefonar para alguém enquanto está fora ou evitar determinados lugares quando não encontra um acompanhante.

O acompanhante também pode assumir essa função.

A pessoa não está necessariamente pensando conscientemente: "preciso usar meu acompanhante como comportamento de segurança."

É muito mais provável que a experiência seja: "com ele eu me sinto segura, sem ele, não sei se vou conseguir."

É justamente por isso que esse processo pode ser tão difícil de perceber.

02

Por que me sinto seguro apenas acompanhado?

Quando uma situação é interpretada pelo cérebro como potencialmente ameaçadora, o organismo pode aumentar o estado de alerta.

Isso pode acontecer diante de uma ameaça externa, mas também diante de sensações corporais, pensamentos ou possibilidades futuras.

Uma pessoa pode sentir uma pequena alteração na respiração e pensar: "e se eu começar a passar mal?" Pode sentir o coração bater mais rápido e pensar: "e se eu tiver uma crise?" Pode estar em um local distante de casa e pensar: "e se eu precisar ir embora e não conseguir?"

A partir daí, a presença de uma pessoa conhecida pode produzir uma sensação imediata de proteção.

O cérebro aprende associações

"Com essa pessoa, eu consegui." "Quando ela estava comigo, nada aconteceu." "Quando fui sozinho, fiquei muito ansioso."

Com o tempo, a mente pode começar a associar a presença do acompanhante à segurança e a ausência dele à possibilidade de perigo.

Isso não significa que o acompanhante esteja causando o problema. Significa que a relação entre situação, ansiedade, segurança e aprendizagem pode estar se fortalecendo.

Pesquisas experimentais mostram que comportamentos de segurança podem reduzir a resposta defensiva no momento em que são utilizados, mas isso não significa necessariamente que o cérebro tenha aprendido que a situação é segura.

Um estudo publicado em Scientific Reports encontrou uma redução da resposta defensiva quando os participantes tinham a oportunidade de evitar uma consequência aversiva, mas observou uma retomada da resposta defensiva após o comportamento de segurança.

Isso ajuda a compreender uma característica importante da ansiedade: sentir alívio não é necessariamente o mesmo que aprender segurança.

03

O acompanhante pode funcionar como uma garantia

Imagine uma pessoa que tem medo de sair sozinha.

Ela decide ir ao supermercado com alguém. Durante o caminho, sente ansiedade. O acompanhante conversa com ela. A pessoa chega ao supermercado, compra o que precisava e retorna para casa.

Ao final, pensa: "graças a Deus ele estava comigo."

Parece uma conclusão natural. Mas existe uma pergunta importante.

04

O que exatamente o cérebro aprendeu com essa experiência?

Pode ter aprendido: "eu fui ao supermercado e consegui." Mas também pode ter aprendido: "eu só consegui porque alguém estava comigo."

Essas duas aprendizagens são muito diferentes.

Na primeira, a experiência aumenta a percepção de capacidade e autonomia. Na segunda, a confiança permanece depositada na presença do acompanhante.

É por isso que, em determinados casos, simplesmente enfrentar uma situação acompanhado não é suficiente para modificar o medo. A pessoa pode continuar precisando da mesma condição de segurança na próxima vez.

05

Quando a pessoa não pode ir, a ansiedade aumenta

É comum que o momento mais difícil não seja necessariamente o passeio em si.

Pode ser o momento em que o acompanhante diz: "hoje não vou conseguir ir."

Nesse instante, a ansiedade pode aumentar rapidamente.

A pessoa começa a antecipar: "e se eu passar mal?", "e se eu tiver uma crise?", "e se ninguém me ajudar?", "e se eu não conseguir voltar?", "e se eu ficar presa naquele lugar?", "e se acontecer alguma coisa comigo?"

A antecipação pode produzir sofrimento antes mesmo de qualquer situação acontecer.

Isso ocorre porque a ansiedade não depende apenas do que está acontecendo agora. Ela também está relacionada à previsão de ameaça.

A pessoa tenta imaginar o futuro para se proteger dele.

O problema é que, quando a incerteza é interpretada como algo intolerável, a tentativa de prever todas as possibilidades pode alimentar ainda mais o estado de alerta.

Um estudo de Morriss, Rodriguez-Sobstel e Steinman, publicado em 2024, encontrou associação entre maior intolerância à incerteza e maior nível geral de ativação fisiológica durante fases de aprendizagem e retenção da extinção em uma amostra clínica com transtornos de ansiedade e/ou TOC. Os próprios autores destacam que os achados são preliminares e que a intolerância à incerteza pode ser um alvo relevante para intervenção.

Isso ajuda a compreender por que pensamentos como "eu preciso ter certeza de que nada vai acontecer" podem ser tão difíceis de abandonar.

A vida, porém, não oferece esse tipo de certeza.

A antecipação pode fazer a situação parecer mais perigosa

Quando você imagina repetidamente uma situação como perigosa, o cérebro pode começar a tratá-la como algo que exige preparação.

Você pensa no que pode acontecer. Depois pensa no que faria se acontecesse. Depois imagina o que aconteceria se não conseguisse resolver. E então começa a procurar formas de evitar tudo isso.

Talvez decida não sair. Talvez procure alguém para acompanhar. Talvez escolha horários mais tranquilos. Talvez leve objetos, medicamentos ou estratégias que funcionem como garantia. Talvez fique verificando o telefone. Talvez mantenha contato constante com alguém.

Essas estratégias podem parecer pequenas. Mas, quando se repetem, podem construir um padrão.

Medo → antecipação → comportamento de segurança → alívio → dependência da segurança → novo medo.

O ciclo pode se fortalecer sem que a pessoa perceba.

O paradoxo da segurança

Existe um paradoxo importante.

Aquilo que você faz para se sentir seguro pode, em determinadas situações, impedir que você descubra que consegue lidar com a situação sem aquela segurança.

Imagine que você só entra em um restaurante quando alguém vai junto. Você nunca permanece sozinho tempo suficiente para descobrir como seria.

Então o cérebro não recebe uma oportunidade completa de aprender: "eu consigo estar aqui sozinho."

Em vez disso, ele continua aprendendo: "para estar aqui, preciso de alguém."

Isso não significa que todo comportamento de segurança seja prejudicial ou que uma pessoa precise abandonar todos eles de uma vez. O contexto importa. Um comportamento pode ser adaptativo em determinada situação e, em outra, contribuir para a manutenção da ansiedade.

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2026 analisou 26 estudos sobre manipulações de comportamentos de segurança. Nos 19 estudos elegíveis para meta-análise, a redução desses comportamentos esteve associada a reduções tanto nos próprios comportamentos de segurança quanto nos sintomas clínicos. Os autores também encontraram que condições experimentais que aumentavam os comportamentos de segurança estavam associadas ao aumento desses comportamentos e dos sintomas, e destacam a existência de viés de publicação e a necessidade de mais pesquisas.

Portanto, a questão não é simplesmente "eu preciso parar de sair acompanhado?"

A pergunta mais útil é: "o que eu acredito que aconteceria se precisasse fazer isso sozinho?"

Evitação pode aumentar o tamanho do medo

Outro elemento importante é a evitação.

Quando uma situação provoca medo, evitá-la pode produzir alívio. Você não vai. Você não enfrenta a situação. A ansiedade diminui. O cérebro pode interpretar: "foi bom eu não ter ido."

O problema é que, dessa forma, não existe uma oportunidade de descobrir o que realmente aconteceria.

A evitação também pode ampliar a quantidade de situações que passam a ser percebidas como ameaçadoras.

Um estudo experimental publicado em 2025 investigou justamente a relação entre comportamento de evitação e generalização da expectativa de ameaça. Os participantes que realizaram uma tarefa de evitação apresentaram maior tendência a identificar determinados estímulos novos como associados à ameaça, em determinadas condições. Os autores concluíram que a evitação pode contribuir para a generalização do medo por meio de alterações na discriminação entre estímulos.

Na vida cotidiana, isso pode ajudar a explicar por que uma pessoa começa evitando uma situação específica e, depois de algum tempo, percebe que existem várias outras situações que também parecem difíceis.

Primeiro, sair sozinho. Depois, ir sozinho para lugares desconhecidos. Depois, viajar. Depois, ficar longe de casa. Depois, permanecer em determinados ambientes.

A vida começa a ficar menor.

06

O que acontece no cérebro?

Do ponto de vista da neurociência, a ansiedade envolve sistemas responsáveis por detectar ameaça, preparar respostas defensivas, interpretar informações e aprender com experiências anteriores.

Estruturas como a amígdala participam da detecção e do processamento de sinais relacionados à ameaça. O hipocampo contribui para o processamento contextual e para a memória. Regiões do córtex pré-frontal participam da avaliação, regulação e interpretação dessas informações.

Isso não significa que exista uma única "área da ansiedade". A experiência ansiosa emerge da interação entre diferentes sistemas neurais, respostas corporais, aprendizagem, memória, contexto e interpretação.

Pesquisas sobre aprendizagem de medo e segurança ajudam a entender por que uma situação pode continuar sendo percebida como ameaçadora mesmo depois que a pessoa vivenciou experiências seguras.

Uma meta-análise atualizada publicada em 2025 reuniu 77 estudos, envolvendo 2.052 pessoas com transtornos relacionados à ansiedade, TOC ou TEPT e 3.258 participantes saudáveis. Os resultados apontaram diferenças em processos de aquisição, extinção e recuperação do medo, incluindo respostas aumentadas a estímulos de segurança em participantes com transtornos relacionados à ansiedade e estresse.

Extinção não significa apagar o medo

Uma nova aprendizagem, não um apagamento

Um ponto especialmente importante é compreender que extinção não significa simplesmente apagar uma memória antiga de medo.

Em termos simplificados, uma experiência nova pode ensinar: "essa situação que antes parecia ameaçadora também pode ser segura."

A aprendizagem anterior não necessariamente desaparece. Uma nova aprendizagem passa a competir com ela.

Por isso, experiências repetidas de segurança podem ser importantes para fortalecer novas associações.

Por que trabalhar a autonomia não significa fazer tudo sozinho?

Existe um equívoco importante quando falamos sobre autonomia.

Ser autônomo não significa nunca precisar de ninguém.

Você pode pedir ajuda. Pode gostar de companhia. Pode conversar com alguém quando estiver difícil. Pode buscar apoio emocional. Pode compartilhar experiências com pessoas importantes. Tudo isso faz parte de uma vida saudável.

A questão é diferente quando a pessoa sente: "sem essa pessoa eu não consigo."

Autonomia, nesse contexto, significa ampliar a capacidade de escolher.

"Eu posso ir acompanhado porque quero." "Eu também posso ir sozinho quando for necessário." "Posso sentir ansiedade e continuar." "Posso pedir ajuda sem acreditar que sou incapaz."

Essa diferença é fundamental.

O objetivo não é transformar independência em obrigação. É diminuir a sensação de que sua vida depende da disponibilidade de outra pessoa.

Como a Terapia Cognitivo-Comportamental pode ajudar?

Na Terapia Cognitivo-Comportamental, o primeiro passo não é simplesmente mandar a pessoa "ir sozinha."

É compreender o funcionamento do problema.

O que acontece antes da situação? Qual pensamento aparece? Que sensação corporal surge? O que a pessoa imagina que vai acontecer? O que ela faz para se proteger? O que acontece depois? Quais comportamentos reduzem a ansiedade imediatamente? E quais comportamentos acabam mantendo o medo no longo prazo?

Essa análise permite identificar o papel da antecipação, evitação e comportamentos de segurança.

A partir daí, o tratamento pode trabalhar pensamentos relacionados à ameaça, tolerância à incerteza, percepção de capacidade e exposição gradual às situações evitadas.

O objetivo da exposição não é provar que "nada de ruim jamais acontecerá." Isso seria impossível.

O objetivo é construir uma relação diferente com a possibilidade de sentir ansiedade e com a incerteza.

A pessoa pode começar a aprender: "eu não preciso ter certeza para agir", "posso sentir ansiedade sem interpretar automaticamente essa sensação como perigo", "posso estar desconfortável e continuar", "posso descobrir que consigo lidar com mais coisas do que imaginava."

Reduzir o comportamento de segurança precisa ser gradual

Se uma pessoa utiliza um acompanhante como principal estratégia de segurança há muito tempo, simplesmente retirar esse recurso de uma vez pode ser assustador e, dependendo do caso, pouco adequado.

O tratamento precisa considerar a história, a intensidade da ansiedade, as situações envolvidas e os recursos que a pessoa possui.

A redução dos comportamentos de segurança pode ser planejada gradualmente.

Talvez primeiro a pessoa faça uma atividade acompanhada, mas permita que o acompanhante fique mais distante. Depois, faça uma pequena parte da atividade sozinha. Em outro momento, permaneça sozinha por mais tempo. Depois, amplie o percurso.

O princípio é construir experiências nas quais a pessoa possa perceber que consegue tolerar a ansiedade e lidar com a situação.

A meta não é necessariamente chegar a "nunca mais preciso de ninguém."

A meta pode ser: "eu consigo escolher quando quero companhia, sem sentir que preciso dela para sobreviver à situação."

E se eu sentir ansiedade mesmo assim?

É importante considerar que autonomia não elimina necessariamente a ansiedade.

Você pode fazer algo sozinho e sentir o coração acelerar. Pode sentir desconforto. Pode ter pensamentos assustadores. Pode querer voltar para casa. Pode sentir vontade de ligar para alguém.

Isso não significa automaticamente que você fracassou.

Em muitos casos, uma parte importante do processo terapêutico é aprender que sentir ansiedade não é o mesmo que estar em perigo.

Essa distinção pode parecer simples intelectualmente, mas precisa ser construída também pela experiência.

O cérebro aprende através da repetição. Por isso, pequenas experiências de enfrentamento podem se tornar importantes.

O papel da validação

Também é importante não transformar esse processo em uma crítica.

Dizer para alguém "você precisa ser independente", "isso é dependência" ou "você precisa aprender a se virar" pode aumentar vergonha e culpa.

Uma abordagem mais cuidadosa começa tentando compreender por que aquele comportamento surgiu.

Talvez o acompanhante tenha se tornado uma forma de enfrentar situações que antes pareciam insuportáveis. Talvez tenha funcionado durante algum tempo. Talvez tenha permitido que a pessoa voltasse a sair de casa depois de uma experiência difícil.

Validar isso não significa dizer que o comportamento precisa continuar para sempre. Significa reconhecer sua função antes de trabalhar sua mudança.

Na perspectiva da Terapia Comportamental Dialética, a validação procura compreender o que é funcional e relevante dentro do contexto atual, enquanto o tratamento também trabalha mudanças necessárias. O equilíbrio entre aceitação e mudança é uma característica central dessa abordagem.

É possível dizer: "faz sentido que você tenha procurado segurança depois de tudo o que viveu. E talvez agora possamos ajudá-la a descobrir que existem outras formas de se sentir segura."

07

Quando procurar ajuda profissional?

Se a necessidade de companhia estiver fazendo você cancelar compromissos, evitar lugares, deixar de trabalhar, estudar, viajar, dirigir, frequentar espaços sociais ou realizar atividades que gostaria de realizar, vale procurar avaliação psicológica.

Também é importante buscar ajuda quando a ansiedade estiver ocupando grande parte do seu pensamento ou quando você perceber que sua vida está sendo organizada em função de evitar determinadas sensações ou situações.

Isso não significa automaticamente que você tenha agorafobia, transtorno de pânico ou dependência emocional. Comportamentos semelhantes podem aparecer por motivos diferentes. O diagnóstico, quando necessário, depende de uma avaliação clínica individualizada.

O mais importante é observar o impacto que esse padrão está produzindo na sua vida.

Porque, muitas vezes, o problema não começa quando você gosta de ter alguém ao lado. Ele começa quando a ausência dessa pessoa determina o que você pode ou não pode fazer.

08

Para guardar

Talvez você não precise aprender a viver sem ninguém.

Talvez precise aprender que pode estar com alguém sem precisar dessa pessoa para se sentir capaz de enfrentar a vida.

A companhia pode continuar sendo afeto. Pode continuar sendo escolha. Pode continuar sendo prazer.

Mas ela não precisa ser uma condição para que você consiga sair de casa.

Autonomia não é nunca precisar de ninguém.

Autonomia é descobrir que você também pode contar consigo.

09

Sobre a autora

Wenner Daniele | Psicóloga, CRP 24/01431

Psicóloga que escuta e pesquisa a mente.Há mais de 14 anos, sua trajetória reúne prática clínica, docência, pesquisa e formação em saúde mental, integrando Psicologia, Terapia Cognitivo-Comportamental e Neurociências."Toda mente carrega uma história."

Wenner Daniele é psicóloga clínica, mestranda em Ciências Biológicas, área de Neurociências, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), bolsista CAPES e pesquisadora. Possui formação em Saúde Mental, experiência universitária como professora, coordenadora de curso e supervisora de estágio, além de atuação em pesquisa nas áreas de neurociência, neuroimunologia, desenvolvimento humano e saúde mental.

Em 2026, é coautora do capítulo "Imunologia e Inflamação no TEA", publicado no livro Tratado sobre o Transtorno do Espectro Autista, pela Editora Artmed.

Atua com atendimento psicológico online para adolescentes e adultos no Brasil e para brasileiros que vivem no exterior, integrando conhecimento científico, experiência clínica e uma prática baseada em evidências.

14+ anos de atuação clínica | Atendimento online Brasil e Exterior | Mestranda em Neurociências | Bolsista CAPES | Pesquisadora | Docência e Gestão Acadêmica | Coautora de capítulo publicado pela Artmed

10

Perguntas frequentes

Por que não consigo sair sozinho?

A dificuldade pode estar relacionada à associação entre determinadas situações, ansiedade e segurança. Quando você se acostuma a enfrentar situações apenas acompanhado, pode começar a interpretar a presença de outra pessoa como necessária para lidar com aquilo que teme. Isso pode fortalecer a sensação de incapacidade quando precisa fazer algo sozinho.

Por que me sinto seguro apenas quando estou acompanhado?

A companhia pode ter adquirido uma função de segurança. Se repetidamente você vivencia uma situação difícil na presença de alguém e sente alívio porque essa pessoa está ali, seu cérebro pode aprender a associar aquela pessoa à proteção. Com o tempo, a ausência dela pode aumentar a antecipação e a percepção de ameaça.

O acompanhante funciona como uma garantia?

Pode funcionar dessa maneira. Quando você pensa que consegue enfrentar uma situação somente porque determinada pessoa está presente, a presença dela pode se transformar em uma espécie de garantia psicológica. O problema é que, nesse caso, você pode atribuir o sucesso à presença do outro, e não à sua própria capacidade de enfrentar a situação.

Por que fico ansioso quando a pessoa não pode ir?

A ausência do acompanhante pode retirar uma estratégia que você utiliza para controlar ou reduzir a ansiedade. Isso pode aumentar a incerteza e fazer com que pensamentos sobre possíveis problemas apareçam com mais intensidade. A ansiedade pode começar antes mesmo de você sair de casa.

Isso significa que tenho agorafobia?

Não necessariamente. Precisar de companhia pode acontecer em diferentes contextos e não é suficiente, sozinho, para estabelecer um diagnóstico. É necessário avaliar quais situações provocam medo, quais pensamentos aparecem, quais comportamentos de evitação existem e quanto isso interfere na vida da pessoa.

Isso significa que sou emocionalmente dependente?

Também não necessariamente. Gostar muito da companhia de alguém ou buscar apoio emocional não significa, por si só, dependência emocional. A questão clínica está relacionada ao funcionamento desse vínculo e ao grau em que a pessoa sente que não consegue realizar atividades ou enfrentar situações sem a presença do outro.

É errado sair sempre acompanhado?

Não. Ter companhia pode ser uma escolha saudável e prazerosa. O ponto de atenção aparece quando você percebe que não está escolhendo estar acompanhado, mas acreditando que precisa estar acompanhado para conseguir lidar com a situação.

Como começar a depender menos de um acompanhante?

O processo geralmente começa pela identificação do medo, dos pensamentos antecipatórios, dos comportamentos de segurança e das situações evitadas. A partir daí, pode ser possível construir experiências graduais de autonomia, muitas vezes com acompanhamento psicológico. A redução dos comportamentos de segurança deve ser planejada de acordo com cada pessoa e cada contexto.

Preciso aprender a fazer tudo sozinho?

Não. Autonomia não significa isolamento. Ser autônomo significa poder escolher. Você pode querer companhia e continuar sendo capaz de fazer algo sozinho quando necessário. O objetivo não é eliminar os vínculos, mas ampliar sua liberdade de escolha.

E se eu sentir ansiedade enquanto estiver sozinho?

Sentir ansiedade não significa necessariamente que você esteja em perigo. Uma parte importante do tratamento pode ser aprender a reconhecer as sensações ansiosas sem interpretá-las automaticamente como sinais de catástrofe. Com experiências graduais e adequadas, é possível desenvolver maior confiança para lidar com o desconforto.

Cada leitura é um convite ao cuidado com a própria mente — o primeiro passo pode ser conversar.

Foto de Wenner Daniele, psicóloga clínica CRP 24/01431

Wenner Daniele

Psicóloga Clínica · CRP 24/01431

Falar com a psicóloga
  1. FRANKE, J.; MELZIG, C. A.; BENKE, C. Persistent defensive reactivity during extensive avoidance training as a potential mechanism for the perpetuation of safety behaviors. Scientific Reports, v. 14, article 25925, 2024. DOI: 10.1038/s41598-024-76175-6.
  2. GOODSON, J. T.; PATEL, T. A.; ZECH, J. M.; SALA, M. C.; COUGLE, J. R. The standalone effect of safety behavior manipulations: A systematic review and meta-analysis. Clinical Psychology Review, v. 124, article 102703, 2026. DOI: 10.1016/j.cpr.2026.102703.
  3. KAUSCHE, F. M.; CARSTEN, H. P.; SOBANIA, K. M.; RIESEL, A. Fear and safety learning in anxiety- and stress-related disorders: An updated meta-analysis. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, v. 169, article 105983, 2025. DOI: 10.1016/j.neubiorev.2024.105983.
  4. MORRISS, J.; RODRIGUEZ-SOBSTEL, C.; STEINMAN, S. A. Intolerance of Uncertainty is Associated with Heightened Arousal During Extinction Learning and Retention: Preliminary Evidence from a Clinical Sample with Anxiety and Obsessive-Compulsive Disorders. Cognitive Therapy and Research, v. 48, p. 854-865, 2024. DOI: 10.1007/s10608-024-10491-z.
  5. VANDAEL, K.; ZAMAN, J.; VERVLIET, B. The Effect of Avoidance Behavior on Generalization of Threat-Expectancy. Collabra: Psychology, v. 11, n. 1, article 129192, 2025. DOI: 10.1525/collabra.129192.
💬Fale conosco agora