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Guia: Como escolher um psicólogo

Quando trocar de psicólogo?

Identifique sinais reais para tomar essa decisão com consciência, encerre o processo atual de forma ética e saiba como escolher o próximo(a) profissional.

Wenner Daniele

Wenner Daniele

Psicóloga Clínica | CRP 05/39806

Mestranda em Neurociências

Atualizado em 29/05/2025

Tempo de leitura: 14 min

Este conteúdo faz parte do Guia

Como escolher um psicólogo

  1. Como escolher um psicólogo online
  2. Como saber se é confiável
  3. Psicólogo ou psiquiatra
  4. Escolher a abordagem
  5. Terapia está funcionando
  6. Quando trocar
  7. Verificar o CRP
  8. Brasileiros no exterior

1. Trocar de psicólogo é sinal de fracasso?

Não. Trocar de psicólogo é, em muitos casos, uma decisão madura e ética consigo mesmo(a). As necessidades emocionais mudam ao longo da vida, e o(a) profissional adequado(a) para uma fase pode não ser o(a) melhor para outra. Reconhecer isso é parte da autonomia terapêutica.

O que importa é que a decisão seja tomada com consciência e não a partir de fuga de temas difíceis ou de uma primeira sensação de desconforto — o que faz parte de qualquer processo genuíno.

2. Sinais claros de que é hora de trocar

  • Quebra de sigilo, comentários preconceituosos, julgamentos morais
  • Atrasos frequentes, cancelamentos sem aviso, desorganização
  • Impressão persistente de que o(a) profissional impõe suas próprias visões
  • Ausência total de movimento após 3 a 4 meses de trabalho regular
  • Sentir que precisa "editar" o que fala com medo da reação do(a) psicólogo(a)
  • Não conseguir estabelecer objetivos claros ou revisá-los ao longo do processo
  • Desconforto ético (relação dupla, propostas fora do enquadre, contato inadequado fora das sessões)

3. Situações em que NÃO se deve trocar por impulso

Existem situações em que a vontade de trocar é, na verdade, parte do processo — e vale a pena investigar antes de agir:

  • Sensações de desconforto ao trabalhar temas difíceis (trauma, luto, culpa)
  • Vontade de fugir quando a terapia começa a produzir mudanças reais
  • Frustração momentânea porque uma sessão específica "não rendeu"
  • Comparação com terapias curtas de conhecidos que "funcionaram na primeira sessão"

Nesses casos, a melhor conduta é trazer o desejo de trocar para dentro da sessão. Muitas vezes, isso é o que destrava o processo.

4. Como se despedir eticamente do(a) atual psicólogo(a)

Encerrar um processo é parte importante da terapia. Boas práticas:

  • Comunique a decisão com pelo menos uma sessão de antecedência
  • Use esse encontro para revisar o percurso: o que trabalhou, o que ainda ficou em aberto
  • Solicite, se desejar, um relatório de encaminhamento para o(a) novo(a) profissional
  • Reconheça o que foi importante — mesmo que a troca aconteça

Um profissional ético respeita a decisão e facilita a transição.

5. Como escolher o próximo psicólogo

Aproveite o aprendizado do processo anterior:

  • Anote o que funcionou e o que faltou na experiência passada
  • Considere trocar de abordagem se a atual não fez sentido para você
  • Verifique CRP, formação e experiência do novo profissional
  • Peça uma sessão de conhecimento antes de iniciar formalmente
  • Dê ao novo processo pelo menos 4 a 6 encontros antes de avaliar

6. É possível voltar a um(a) antigo(a) psicólogo(a)?

Sim. Não é raro que pacientes retornem a profissionais anteriores após uma pausa ou uma passagem por outro processo. Se a relação anterior foi ética e produtiva, esse retorno pode ser bastante frutífero — o(a) profissional já conhece sua história.

Dica da Psicóloga

Antes de trocar, converse

Se a vontade de trocar de psicólogo aparece com força, teste primeiro trazer esse sentimento para a sessão. Frequentemente é aí que o processo se aprofunda. Se, ainda assim, a decisão permanece, ela ganha maturidade — e a transição costuma ser mais ética e útil para você.

O que dizem as pesquisas

Evidências científicas atualizadas

  • Horvath & Bedi (2002): aliança terapêutica é um dos principais preditores de resultados; quando ela não se consolida, considerar troca é adequado.
  • APA Practice Guidelines: encorajam feedback aberto e transições éticas entre profissionais.
  • Norcross & Wampold (2011): rupturas na aliança são comuns; reparação ou encaminhamento adequado ampliam eficácia.

Mito ou Verdade

Desfazendo confusões comuns

  • "Trocar de psicólogo significa recomeçar do zero."

    Mito. O aprendizado do processo anterior é levado adiante e acelera o novo trabalho.

  • "Se eu troco, o próximo psicólogo vai me julgar."

    Mito. Profissionais éticos acolhem transições e valorizam sua autonomia.

  • "Devo trocar se uma sessão foi ruim."

    Mito. Sessões pontuais difíceis são normais; troca é decisão de médio prazo.

  • "Trocar de abordagem também é legítimo."

    Verdade. Diferentes fases de vida podem pedir abordagens diferentes.

Erros comuns

O que evitar

  • Trocar por impulso, no calor de uma sessão específica.
  • Sair sem avisar, sem oportunidade de encerramento.
  • Não refletir sobre o que faltou para não repetir com o próximo(a).
  • Escolher o próximo profissional apenas pelo preço ou disponibilidade.
  • Fugir de temas difíceis mudando de terapeuta em vez de trabalhá-los.

Perguntas frequentes

Ver todas as perguntas
Trocar de psicólogo significa que a terapia falhou?

Não. Trocar pode significar autonomia, autoconhecimento e adequação a uma nova fase da vida. A decisão consciente sobre continuar ou não é parte do processo terapêutico.

Quando devo trocar de psicólogo?

Quando houver quebra ética, ausência total de movimento após meses, sensação persistente de que não pode ser autêntico(a) ou desconforto ético relevante. Nunca por impulso ou fuga de temas difíceis.

Preciso avisar antes de encerrar a terapia?

Sim. É ético e recomendado avisar com pelo menos uma sessão de antecedência, para que o encerramento possa ser trabalhado e o percurso revisado juntos.

Posso trocar de psicólogo online por outro presencial?

Sim. A modalidade é sua escolha e pode ser reavaliada. O importante é que o novo profissional atenda seus objetivos e critérios de confiança.

E se eu não gostar do meu psicólogo desde o início?

Dê ao processo pelo menos 3 a 5 sessões — o vínculo se constrói com o tempo. Se persistir a sensação de não conexão ou de que não pode ser autêntico(a), a troca é legítima.

É comum querer trocar quando a terapia começa a mexer com temas difíceis?

Sim, é bastante comum. Antes de trocar, traga isso para a sessão — muitas vezes essa vontade indica que o processo está tocando algo importante.

Como conversar com meu psicólogo sobre trocar?

Com clareza e respeito. Explique o que sentiu, o que faltou e a decisão. Um bom profissional acolhe a conversa e facilita a transição, inclusive com encaminhamento.

Posso voltar a um psicólogo que já atendi?

Sim. Se a relação anterior foi ética e produtiva, o retorno pode ser muito valioso — o(a) profissional já conhece seu histórico.

Preciso justificar por que estou trocando?

Não é obrigatório detalhar razões, mas conversar sobre o motivo geralmente ajuda no fechamento do processo e evita padrões repetitivos com o próximo(a) profissional.

Como escolher o próximo psicólogo depois de uma troca?

Aproveite o aprendizado: liste o que funcionou e o que faltou, verifique CRP e formação, considere mudar de abordagem se fizer sentido, e peça uma sessão inicial de conhecimento.

Está pensando em recomeçar seu processo terapêutico?

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